Como incentivar autonomia e responsabilidade nos alunos?

Como auxiliar que os alunos desenvolvam a autonomia e a responsabilidade social?

Por Hannah Lima, consultora pedagógica do LIV.


Autonomia e responsabilidade social são habilidades socioemocionais e, por isso, podem ser ensinadas e desenvolvidas. A autonomia nos é cara em momentos ordinários, como quando precisamos decidir entre adiantar ou não o trabalho porque sabemos que amanhã estaremos mais cansados. E também em momentos grandiosos: vale a pena mudar de carreira agora?

Já a responsabilidade social parece ser cada vez mais demandada. As discussões sobre justiça, opressões e reparação histórica, por exemplo, saíram dos espaços especializados e atravessam as discussões do dia a dia e hoje, passamos a perceber que nossas ações e opiniões impactam a vida coletiva. Essa realidade se apresenta para todas as idades em diferentes contextos. Como, então, os professores podem auxiliar no desenvolvimento da autonomia e da responsabilidade em sala de aula?

 

Por que “auxiliar”? 

O verbo auxiliar não foi escolhido por acaso, especialmente quando pensamos em autonomia. O aluno é – e deve ser – protagonista do seu próprio  desenvolvimento pedagógico. Isso quer dizer que o papel dos educadores é oferecer ferramentas que auxiliam nesse desenvolvimento.
Esse auxílio pode ser dado de diversas formas, são infinitas as possibilidades de desenvolver habilidades socioemocionais porque as praticamos a cada minuto do nosso dia a dia. No contexto escolar, precisamos ter em mente uma pergunta chave: qual é o resultado que espero ao dar esse auxílio? Ou seja, o que é um aluno com autonomia para você? O que podemos esperar de um aluno de 5º ano, por exemplo, em relação à autonomia?
Aqui, uma diferenciação se faz necessária: ser autônomo é diferente de ser independente. Ao contrário do que comumente imaginamos, independência não significa não depender de nada nem de ninguém. Na verdade, ser independente quer dizer que dependemos de várias pessoas, coisas, ferramentas. O que você, professor, oferece para que os alunos cumpram uma tarefa? Já ser autônomo tem a ver com poder de escolha; é ter algumas opções e poder escolher entre elas. Professor, você oferece poder de escolha aos alunos?

 

A autonomia e responsabilidade social no cotidiano da sala de aula

Tais reflexões nos dão pistas sobre como auxiliar no desenvolvimento da autonomia. Se essa habilidade socioemocional diz respeito ao poder de escolha, uma maneira de desenvolvê-la é tornar o aluno, repetidamente, protagonista das aulas e, assim, colocá-lo no centro de decisões possíveis, oferecendo opções para a escolha. Por exemplo, hoje vamos terminar a aula de um jeito diferente: vocês escolhem terminar com música ou com um desenho coletivo na cartolina? Ou vamos fazer a avaliação do bimestre, vocês escolhem um trabalho ou uma prova?
Com esses exemplos, fica evidente que precisamos olhar para a ligação entre autonomia e responsabilidade social: se escolhemos algo, somos responsáveis por aquelas escolhas. Além disso, quando as decisões são coletivas também conseguimos evidenciar o impacto que minha atitude individual impacta no resultado final. A responsabilidade social pode ser desenvolvida em sala com jogos como jenga, por exemplo. Nele, os participantes são convocados a entenderem que, cada uma de suas decisões afeta a jogabilidade do próximo participante. 
Essas ideias ajudam a promover o senso de coletividade e também de pertencimento. Além disso, para o desenvolvimento da responsabilidade social, o pensamento crítico, outra habilidade socioemocional, é indispensável. Discutir questões cotidianas e histórias e fazer perguntas provocadoras são algumas estratégias para unir responsabilidade social e pensamento crítico.
Especialmente quando o assunto é o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, a bagagem do professor deve ser muito usada e valorizada em sala de aula. Afinal, cada um de nós tem um jeito único de aprender e de ensinar. Assim, essas são apenas algumas das reflexões e ideias que podem te inspirar para a sala de aula e o uso das suas próprias habilidades socioemocionais são muito importantes para o fazer pedagógico.