Dicas práticas para o aprendizado dentro e fora da escola

Por Rani Cocenza, professora e integrante do Eleva A+ (área de capacitação docente do Eleva Educação)

“Meu filho não estuda” ou “Meu filho passa horas estudando, mas vai mal na prova; como posso ajudar?”. Preocupações como essas acometem muitos responsáveis hoje em dia, e tentar encorajar um jovem a estudar pode ser realmente angustiante, pois não há receita mágica. Então, como os adultos podem ajudar nesse processo? A neurociência, área que estuda o funcionamento do cérebro e os processos de aprendizagem, traz informações que podem contribuir para tornar o estudo um caminho mais eficaz e menos penoso.

Para apoiá-los, precisamos entender primeiro como eles aprendem e de que forma se molda o aprendizado e a memória. Podemos comparar a formação da memória a uma trilha formada ao se pisotear a grama. Quanto mais pessoas passam ali, mais a grama fica marcada, e o trecho se torna mais fácil de percorrer.

A mesma situação acontece no cérebro; ao memorizarmos algo, formamos um caminho, ativando certo grupo de neurônios (células do cérebro). Quando relembramos essa informação (relendo o assunto, estudando), reforçamos esse percurso e reativamos esse mesmo grupo de neurônios. Dessa maneira, quanto mais forte e eficiente for esse processo, mais consolidadas estarão as lembranças, que permitem a aprendizagem e fixam os conhecimentos.

Nesse sentido, quando você vê ou ouve algo, constitui uma nova memória (ou reativa alguma já existente), mas de curto prazo. Para realmente fixar algo, é necessário que essa informação passe para a memória de longo prazo, na qual pode ser resgatada por dias, meses e até anos. Então, auxiliar na composição desse tipo de lembrança é importante para o aprendizado dos mais novos. Outros fatores também são determinantes, tais quais a repetição (reler, estudar), a motivação, o foco e a atenção.

A partir disso, frisamos que ninguém aprende se não tiver motivação, o gosto por aprender. Logo, faz-se relevante encorajá-los a buscar seus interesses e gostos. Por exemplo, se o jovem gosta de planetas ou geopolítica, provavelmente irá gostar de ler um texto sobre o assunto, por mais que seja um pouco difícil. Assim, estimular atividades que levam a vontades ou aptidões novas pode ser uma boa maneira de ajudá-lo a melhorar na escola.

É possível que essa proposta faça alguns de vocês questionarem “Tudo bem, estimular a fazerem algo que gostam é fácil, mas como faço isso com assuntos que eles não gostam?”. De fato, talvez não se interessarem pela leitura de um tema que não os agrade. Entretanto, esse não é o único jeito de aprender; conhecer lugares novos também é um jeito de descobrir mais sobre cultura, geografia e história, aliás.

Outro ponto essencial relacionado à motivação é que, se a criança ou o jovem sente que não é capaz, a chance de desistir é grande. Quem nunca escutou um “Ah, mas isso é muito difícil!” e viu largarem o que faziam pela metade? O ser humano sente prazer e se motiva em enfrentar desafios somente se achar que há chance de ser bem-sucedido. Então, valorizar os mais novos é essencial! Diga que são capazes; que, caso se esforcem, terão bons frutos; evite fazer comentários negativos a seu respeito. Quem se sente motivado ouvindo algo como “Ele senta para estudar, mas é muito disperso, não quer saber de nada!”, não é verdade? Ninguém aprende estressado e errar não é um problema.

Nessa linha, já é comprovado que o estresse leva à liberação de hormônios que dificultam a absorção de novas informações, ou seja, a mente “se fecha” para os novos aprendizados e a formação de memórias. Portanto, um ambiente tranquilo é vital para o aprender de crianças e adolescentes. No que diz respeito a errar, ensine seu filho a não ter medo de falhar e explique que essa é uma oportunidade de aprender, pois ele terá estratégias diferentes a explorar. Quando estamos aprendendo, precisamos praticar muito para aprimorar.

Realmente não há fórmula mágica, mas há uma verdade: fazer a tarefa ou o trabalho no lugar do jovem não é a solução. A princípio, pode parecer uma alternativa boa para ajudá-lo, mas prejudica o processo de desenvolvimento e aprendizagem, trazendo consequências negativas no futuro. “Ah, mas então não posso ajudar?”. Claro que sim! Revise, incentive as ideias, aponte sugestões e melhorias. Porém, eles não aprenderão se não errarem no caminho.

Por último, mesmo que seja angustiante quando vão mal na prova, principalmente quando seus respectivos amigos vão bem, é importante que isso não fomente comparações. Primeiro, se houve melhora de uma prova para outra, reconheça a sua evolução. Além disso, entenda que as pessoas são diferentes; cada indivíduo é único e distinto de todos os outros. Essas diferenças não se resumem ao estilo de aprendizagem, mas, em especial, também consideram a personalidade, os interesses e o conhecimento prévio geral.

De tal forma, o melhor caminho é sempre ter um diálogo constante com os mais novos. Tente entender o que estão passando, disponha-se a escutá-los. Mostre que falhas acontecem, mas que geram saberes, e você estará ali para ajudá-los nessas ocasiões. Fortaleça o laço familiar e, juntos, busquem soluções. Lembre-se: só irá funcionar se você realmente acreditar que eles são capazes.

 

DICAS PARA AJUDAR O ESTUDO:

  • Incentive que estude um pouquinho todos os dias

Foi provado que estudar o mesmo assunto três vezes durante a semana, por meia hora, é mais eficiente do que analisá-lo seguidamente por 1 h e 30 min e nunca mais revisitá-lo – isto é, não passar mais pelo mesmo “caminho da grama”.

 

  • Ensine seus filhos a diminuírem possíveis distrações

 

Aquele filme na TV e o WhatsApp piscando no celular não ajudam no momento de estudo, pois essas opções sempre soarão mais interessantes. Elas desviam a atenção e dificultam o foco e a memorização.

 

  • Se seu filho quer estudar em lugares diferentes da casa, deixe-o

Quando estudamos o mesmo conteúdo em diversos lugares, a memorização não é relacionada a nada específico do ambiente ao redor. Desse modo, aumentamos a chance de conseguir resgatar essa memória com mais facilidade.

 

  • Faça perguntas sobre assuntos que seu filho está aprendendo, relacionando com o seu dia a dia

Se seu filho é pequeno e estiver passando previsão do tempo na TV, pergunte sobre os estados e as capitais. Se ele é maior, pergunte por que, quando o carro freia bruscamente, o corpo é jogado para frente. Jogue as questões e deixe-os responderem; escute-os ativamente. A propósito, você não precisa perguntar somente coisas que sabe, pelo contrário!

 

  • Intercale os conceitos na hora de exercitar

Por exemplo, se estão estudando sistema esquelético e sistema ósseo, é melhor que misture os exercícios do que fazer tudo só de um sistema e depois de outro. Intercalar auxilia a consolidar melhor o aprendizado.

 

  • Mostre que você também sempre está aprendendo e pode ter dificuldades em algum assunto

Já pensou em tentar aprender um novo idioma ou estudar mais sobre um assunto que gosta, mas sabe pouco? Isso pode lhe ajudar a entender o processo pelo qual seu filho está passando, de modo que ele também pode aprender, com você, táticas para estudar. Vocês até podem estudar juntos ocasionalmente!

 

  • Peça ao seu filho para te explicar a matéria

Uma excelente maneira de aprender é explicar o que estuda para alguém. Caso o jovem se sinta confortável, peça-o para explicar a você o que está aprendendo.