Educação socioemocional: 3 ideias práticas para suas aulas

18 de janeiro de 2022

Desenvolver a educação socioemocional significa atuar para a formação integral dos alunos. Descubra a seguir como o LIV pode ajudar nessa prática!

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Ainda é comum, para muitos professores, enxergar o desenvolvimento socioemocional dos estudantes como uma questão distante das atividades curriculares tradicionais. Afinal, com tantos conteúdos a cumprir, como abraçar mais essa temática? 

Nos últimos anos essa questão chegou com mais força nas escolas, especialmente após a inserção de algumas habilidades socioemocionais dentro das expectativas de aprendizagem da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). 

Esse novo contexto fez com que os educadores precisassem rever suas práticas, o que gerou a ideia de que seria preciso “adicionar” um novo conteúdo às aulas. Contudo, falar de educação socioemocional não significa, necessariamente, adicionar mais conteúdo, mas sim repensar o planejamento de aulas visando desenvolver os aspectos socioemocionais dos alunos enquanto leciona uma disciplina.

Além disso, de acordo com o educador Caio Lo Bianco, idealizador do programa LIV, quando a gente fala de um desenvolvimento socioemocional, não podemos pensar que isso vai acontecer em apenas um momento na semana na grade curricular. “O aluno chega na escola com problemas familiares, frustrações, medos, dificuldades de relacionamento, entre outras questões. Portanto, é justamente com esse sujeito – e toda a subjetividade que o constitui – que a escola deve lidar.”.

Nesse sentido, ele relembra que o aluno que vai à escola não está apenas focado em aprender Matemática, Ciências e outros conteúdos. “Esse aluno tem relacionamentos, tem problemas e está desenvolvendo sua comunicação e seus gostos. O aluno integral é esse todo”, reflete.

Educação socioemocional na prática

Para ajudar quem ainda está assimilando essas novas práticas de educação, o LIV reuniu diferentes modos de incentivar as habilidades socioemocionais e promover o acolhimento independentemente da disciplina. 

Dividimos as recomendações em três partes. Confira um resumo:

  • Na primeira parte, falamos sobre como conhecer melhor os alunos, com ideias práticas de atividades que podem ser feitas em diferentes momentos do ano letivo.
  • Na segunda parte, abordamos questões que ajudam os professores a pensar em como considerar os interesses da turma dentro do seu plano de aula.
  • Na terceira parte, por fim, trazemos ideias de como usar as dinâmicas e atividades que os alunos gostam dentro das suas aulas.
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Parte 1 – Conhecer o aluno mais profundamente 

Toda a aprendizagem nasce a partir de relacionamentos construídos entre o professor e o aluno e também com os alunos entre si. Por isso, conhecer esses estudantes mais profundamente é imprescindível para que a aprendizagem se realize.

Nesse sentido, destacamos algumas ações e atividades simples e que não requerem materiais especiais. Leia mais:

  • Quebrando o gelo

Se tudo começa pelos relacionamentos, quebrar o gelo significa abrir espaço para que eles aconteçam. Para isso, o professor pode elaborar perguntas e jogos rápidos para saber mais dos interesses da turma. Nesse sentido, ele pode criar perguntas sobre as atividades que eles realizam longe da escola, onde passeiam, o que gostam de comer, etc. 

No começo do ano também é possível criar alguns jogos e brincadeiras com nomes para que ele possa memorizar e chamá-los nominalmente quando se dirigir a eles. O importante aqui é o professor mostrar que se preocupa com a turma e se preocupa em construir esse relacionamento, em conhecer mais os alunos. E, claro, permitir que eles também o conheçam e entendam que ser professor vai além da aula de Português, Geografia, etc. Assim, entender que as pessoas que estão ali na sala de aula têm vida fora da escola.

  • A vida fora da escola

Para ampliar a compreensão do aluno em sua integralidade, o professor também pode procurar momentos para conhecer mais sobre suas turmas fora do ambiente escolar. Não significa ficar amigo ou sair com o aluno, mas sim permitir que ele demonstre e compartilhe aos poucos seus interesses.

No programa LIV, uma atividade muito recomendada para isso é o Círculo da Confiança, no qual uma turma senta-se em roda para falar sobre as mais variadas temáticas, como memórias da infância, seus relacionamentos familiares, seus interesses pessoais, ou até temas mais profundos, como seus arrependimentos e agradecimentos na vida. O propósito é abrir um canal de escuta, permitindo o aluno falar com mais segurança.

Mas as conversas nem sempre precisam acontecer em grupo. Elas podem ser feitas em duplas ou até em um momento individual do professor com cada aluno, de acordo com seu tempo. 

Se falamos de relacionamentos, precisamos abrir espaço para eles dentro da vida escolar. Um dos pontos essenciais desse tipo de abordagem é que a vida fora da escola interfere no rendimento das aulas, em como o aluno vai se posicionar e como ele vai lidar com cada disciplina.

É importante reforçar que, mesmo que o professor decida propor um momento para essas conversas, ele deve ter em mente que ninguém pode ser obrigado a falar. Esse deve ser um espaço de acolhimento, no qual todos devem se sentir confortáveis. 

  • Superando rancores

Diante de qualquer situação desconfortável, a recomendação é procurar o aluno para entender como ele se sentiu diante do fato. É comum a gente se desentender com alunos, nós somos humanos, podemos sentir raiva, tristeza, felicidade e, óbvio, sentimos isso em relação aos alunos também. O sentimento é natural, mas é importante que o professor tenha maturidade para procurar o aluno e superar o desentendimento.

Isso pode ser feito com uma conversa na qual o professor diz o que o incomodou e abre espaço para o aluno falar também. Quando a gente toma esse tipo de atitude, o aluno vê que o professor se importa com ele. Se queremos aprendizagem, precisamos investir no relacionamento, porque aprendizagem envolve emoção.

  • Observação atenta da turma

Uma possibilidade para o professor pensar no desenvolvimento socioemocional na realidade de todas as disciplinas é propor-se a observar ao menos dois alunos por aula e documentar suas análises. 

Essa observação ativa permite ao educador visualizar os relacionamentos desse aluno com a turma, analisar seus momentos de maior ou menor energia durante a aula, observar a mentalidade dele em relação à perseverança e desistência, e até avaliar os estilos de materiais que mais o ajudam a aprender. 

Ao observar dois alunos por aula, é necessário refletir sobre tudo o que aconteceu nela, os pontos fortes, onde precisa melhorar ou desenvolver, quais oportunidades existem. Desta forma, se preparar para planejar as próximas aulas. 

 

Parte 2 – Considerar os interesses da turma

Para que os momentos de conhecimento e observação atenta que citamos na “Parte 1” não sejam atividades isoladas e descoladas da realidade das demais aulas, o professor precisa também fazer uso de ferramentas e atividades que os alunos gostem – considerando o que ele foi, aos poucos, conhecendo em suas turmas. 

Confira duas ideias para ampliar esse aspecto:

  • Usar ferramentas e estilos de aula variados

Para ampliar sua gama de possibilidades, sempre que possível, o professor deve buscar ferramentas para além do livro didático. Nesse sentido, é interessante a simulação de um tribunal para debater determinado assunto ou o uso de recursos audiovisuais.

Mas também é possível expandir a criatividade, inserindo nas aulas jogos analógicos e digitais, diferentes estilos musicais, criação de projetos e ações colaborativas em torno do conteúdo estudado e até parcerias com outras disciplinas para ampliar a interdisciplinaridade.

  • Permita ao aluno fazer escolhas

Não é possível motivar o aluno ou colocá-lo no centro do processo educativo sem criar um ambiente em sala de aula onde seja possível a ele fazer escolhas. Se apenas o professor escolhe e decide todas as ações, fica muito difícil o aluno se engajar naquela disciplina.

Modelos educacionais que permitem fazer escolhas possibilitam melhor performance e rendimento nas aulas. Mas como fazer isso? Sendo um  professor de História, por exemplo, ao invés de falar para o aluno pesquisar um determinado tema, eu posso abrir um leque maior para ele escolher entre diferentes temas de pesquisa. Isso desenvolve o senso de autonomia e escolha.

Vale lembrar que tanto a BNCC para o Ensino Fundamental quanto a estratégia curricular que vem sendo proposta para o Novo Ensino Médio buscam levar essas possibilidades de escolha para o dia a dia nas escolas. Se você quiser saber mais sobre esse tópico, clique aqui e baixe um kit gratuito para descomplicar a aplicação das mudanças nesse segmento.

 

Parte 3 – Planejar dinâmicas e atividades que favoreçam o desenvolvimento socioemocional 

Na primeira parte, falamos sobre a importância de criar melhores relações com os alunos. Em seguida, falamos sobre como considerar os interesses desses alunos nas escolhas didáticas usadas em cada aula. 

Agora, vamos analisar algumas dinâmicas e atividades que podem integrar o desenvolvimento socioemocional em todas as aulas. Confira:

  • Formação de grupos

Incentivar a formação de grupos e duplas, ao invés de recorrer apenas à tradicional sala de aula enfileirada, ajuda o desenvolvimento socioemocional por duas razões. A primeira delas é que grupos menores criam um ambiente mais seguro para falas, erros e novas tentativas. Esse formato dá espaço para o aluno mais tímido, que, ao menos de início, não deseja se arriscar na frente de todos. 

A segunda razão é que os grupos e duplas fortalecem uma conexão mais próxima entre os alunos, adentrando no âmbito do afeto. Abrir esse espaço na sala de aula, cria um momento mais prazeroso e mantém a turma com mais atenção.

  • Estações de aprendizagem

Metodologias ativas de aprendizagem pautadas na reformulação do ambiente de aula, seja no ensino remoto ou no presencial, são muito indicadas para ampliar a autonomia e as habilidades socioemocionais de comunicação e colaboração entre os alunos.

No modelo de estações de aprendizagem, por exemplo, o professor pode criar diferentes ambientes dentro da mesma aula. Em uma “estação”, o professor pode deixar um texto. Na outra, um vídeo ou um exercício, uma sugestão de conversa entre alunos e assim por diante.

Isso significa individualizar os alunos, permitir escolhas, sem que a turma inteira execute a mesma tarefa sem interação nem movimentação. O professor não precisa fazer estações em todas as aulas, isso pode acontecer espaçadamente no planejamento, mas de modo que permita ao aluno aprender de diferentes maneiras. 

Que experimentar o impacto de incentivar o desenvolvimento da inteligência emocional e das habilidades socioemocionais na sua escola? Conheça mais relatos e exemplos de ações práticas no Ebook LIV gratuito: o Jeito LIV de desenvolver educação socioemocional em instituições de todo o Brasil!

O que tem no e-book LIV?

1) Por que investir em pessoas?
2) A importância da atenção à equipe escolar
3) Atenção às famílias
4) Foco no aluno

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O LIV – Laboratório Inteligência de Vida é o programa de educação socioemocional presente em escolas em todo o Brasil, criando espaços de fala e escuta para ampliar a compreensão de si, do outro e do mundo.

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Comentários
josirene

achei muito importante essa forma de trabalhar com os alunos