Qual a diferença entre afeto, emoção e sentimento?

Qual a diferença entre afeto, emoção e sentimento?

20 de maio de 2022

Especialista do programa LIV explica a diferença entre afeto, emoção e sentimento. Saiba mais!

***

Afeto, emoção e sentimento… Você já deve ter escutado essas três palavras em diferentes contextos, não é mesmo? Às vezes, elas aparecem como sinônimos, mas a verdade é que são aspectos distintos que chegam a todos os humanos em vários momentos.

Acontece, porém, que não é raro o afeto iniciar uma emoção e dar origem a um sentimento, dificultando muitas vezes sua distinção. Neste post,  a psicóloga Márcia Frederico, que também é consultora pedagógica do LIV – Laboratório Inteligência de Vida, irá explicar  com mais clareza essas definições. 

Confira a seguir todos os detalhes. Você também pode ouvir esse conteúdo em uma edição exclusiva de áudio clicando no player abaixo:

A diferença entre afeto, emoção e sentimento

De acordo com Márcia Frederico, psicóloga do LIV,  em linhas gerais é possível distinguir as três palavras com uma explicação mais ampla:

  • Afeto:

É tudo aquilo que me chega, são os estímulos. Muitas vezes, confundimos também afeto com amor, carinho, uma emoção e até dizemos que uma pessoa é afetiva ou afetuosa quando age de forma carinhosa ou de uma forma que consideramos positiva. Porém, afeto é tudo aquilo que nos atinge, que mexe com a gente, causado por uma situação que faz com que a gente tenha, geralmente, uma emoção.

  • Emoção:

É, por sua vez, a resposta a esse afeto, seja causado por algo interno ou externo. Mesmo que tenhamos dificuldade em aceitar uma emoção, ela acontece com a gente o tempo todo, pois é uma resposta corporal a cada situação vivenciada. A emoção é aquilo que se reflete no nosso corpo. Mesmo que ainda não se tenha pensado sobre o que estamos sentindo, nem conseguido nomear, já expressamos isso corporalmente por causa das emoções. É uma lágrima que cai ou uma respiração que se modifica, ou a sensação de alegria que não deixa a pessoa ficar parada no lugar.

Nosso corpo percebe a emoção como um termômetro ou como uma bússola, em resposta ao que está acontecendo no ambiente interno ou externo. Às vezes, é algo que a gente lembrou ou pensou, às vezes é uma música ou um cheiro que traz uma lembrança. Isso tudo nos afeta, e temos um transbordamento ou uma percepção de uma emoção, que leva a um sentimento.

  • Sentimento:

É, por fim, uma resposta mais interna e pessoal que surge a partir disso tudo. Quando temos uma experiência emocional, produzimos um sentimento. Se eu percebo que estou saltitante, sorridente, por exemplo, eu vou dar uma interpretação a isso, um nome para essa emoção. Nesse momento, a emoção passa por uma parte mais racional sobre aquilo que eu estou vivendo e posso concluir que estou feliz, por exemplo.

Márcia explica também que tanto o afeto quanto a emoção e o sentimento não acontecem em estágios separados, pois, na verdade, eles se retroalimentam constantemente. “Quando tenho um estado de felicidade, por exemplo, a consciência do sentimento pode me fazer voltar a sorrir ou a ter uma outra resposta que, às vezes, é também emocional. Mas é difícil no dia a dia fazer essa definição porque eles estão se retroalimentando”, destaca.

Como essas emoções são processadas?

Para tentar entender melhor essa relação, diversos pesquisadores passaram a estudar o processamento das emoções e como elas se transformam em sentimento. Para esta publicação, vamos tomar como exemplo dois deles: o psicólogo Paul Ekman e o neurocientista Joseph LeDoux.

  • Emoções básicas

Autor de diversos livros sobre esse tema, Paul Ekman ganhou notoriedade por criar estudos nos quais mapeou as emoções básicas e as expressões faciais mais comuns entre os humanos. No que diz respeito às emoções, ele fez diversas interpretações, inicialmente observando as que são  consideradas comuns a todos.  

As principais delas – alegria, tristeza, raiva e medo – serviram de inspiração para o LIV na construção do material de educação socioemocional para a Educação Infantil e os anos iniciais do Ensino Fundamental (que você pode conhecer clicando aqui e aqui). 

O programa para essas faixas etárias ajuda as crianças justamente no reconhecimento das emoções básicas. Assim, elas aprendem, aos poucos, a nomeá-las e a reconhecer seus próprios sentimentos.

  • As origens e reações das emoções

Já o neurocientista Joseph LeDoux investiga as origens das emoções humanas no cérebro e explica que muitas delas existem como parte de um complexo sistema neurológico, desenvolvido para que fôssemos capazes de sobreviver ao longo da história da humanidade. 

Um de seus livros mais conhecidos sobre o tema é O Cérebro Emocional: Os misteriosos alicerces da vida emocional. Nele, LeDoux afirma que as emoções se originam no cérebro em um nível profundo e defende que é justamente o processamento delas que conecta os hemisférios direito e esquerdo do cérebro.

“Segundo o autor, o nosso cérebro tem áreas diferentes para as diferentes emoções. Por isso, elas produzem respostas diferentes em diferentes partes do corpo. E isso traz uma riqueza, esse colorido que nós temos dentro da nossa própria reação quando algo nos acontece”, explica Márcia Frederico.

Afeto, emoção e sentimento têm espaço na escola?

Antes reservado aos debates entre pesquisadores de neurociência, psicologia e sociologia, por exemplo;  o olhar para o afeto, as emoções e os sentimentos passou a ganhar relevância nas escolas, especialmente na última década.

Desde o lançamento da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), já está mais evidente para as instituições escolares a importância de abrir espaço para o desenvolvimento socioemocional, que inclui a inteligência emocional e também as habilidades socioemocionais.

Para o LIV, essa abertura faz parte de uma leitura mais contemporânea da educação, que deixa de se restringir apenas ao pensamento cognitivo-racional para olhar o desenvolvimento integral dos estudantes.

“No LIV, quando a gente vai trabalhar com as crianças essa parte de nomear as emoções, nós estamos, dessa forma, pensando e trabalhando o cérebro de forma inteira, global, porque sentimos no corpo, reagimos com ele. Você tem uma emoção, um corpo que reage e uma mente que vai classificar, nomear, pensar sobre novos caminhos em relação a como posso agir ou reagir ao que provocou isso tudo. Essas observações vão trazer um trabalho bastante completo.”, pontua Márcia.

Nesse sentido, o LIV acredita  que ter um espaço seguro para falar sobre sentimentos, assim como desenvolver uma escuta realmente interessada e ativa, faz com que possamos elaborar, transformar e repensar o que está sendo vivenciado pela criança ou pelo adolescente, ajudando-o a amadurecer e pensar novos caminhos. 

Um programa que desenvolve a escuta ativa para os sentimentos

Como você viu acima, fomentar um espaço de escuta e acolhimento nas escolas é um dos objetivos do LIV. Por isso, o programa promove um pilar curricular pautado tanto em desenvolver a inteligência emocional das crianças e dos adolescentes quanto suas habilidades socioemocionais – como pensamento crítico, perseverança, proatividade, colaboração, comunicação e criatividade. 

  • Por dentro da aula LIV: Tomás e a frustração

Como os personagens infantis ajudam crianças a entender os sentimentos?

Um dos muitos exemplos de como o LIV trata sobre esses aspectos é o livro do personagem Tomás, exclusivo do programa, que acompanha alunos no 1º ano do Ensino Fundamental. Em um dos capítulos da história, o personagem conhece o sentimento de frustração, algo bastante complexo para ser explicado em palavras, mas que a grande maioria das pessoas já sentiu em algum momento da vida.

Nesse trecho da narrativa, o personagem tem a expectativa de que vai receber um determinado brinquedo, um presente que a mãe vai trazer para ele. Com isso, ele cria uma expectativa e idealiza um presente que espera ansiosamente. O livro mostra, com linguagem adequada para crianças, como a expectativa afeta seu corpo, sua respiração e seu olhar. 

Quando a mãe chega e ele percebe que o presente não corresponde à expectativa, ele tem uma nova reação emocional no seu corpo, que posteriormente é identificada como raiva, porque ele pega e joga o brinquedo longe. “Essa raiva é transmitida no seu corpo como uma reação física, com esse gesto de jogar o brinquedo fora”, explica Márcia. 

“Depois, contudo, ele vai elaborando, pensando um pouco mais sobre aquilo. Nessa reflexão, ele vê como a mãe reagiu e outras emoções e sentimentos vão surgindo. Então, podemos observar o processo como um todo: aquilo que o afetou dentro da situação, o que ele estava imaginando, depois a nomeação de sentimentos, como a frustração e o arrependimento. Dessa maneira, vemos também a construção de linguagem que vai se dando nas nossas aulas, porque a comunicação é um ponto muito importante dentro do LIV”, conclui Márcia.

Quer saber mais sobre como o LIV desenvolve a inteligência emocional das crianças? Acesse o e-book “Sentir é aprender: histórias da sala de aula com o LIV” e conheça depoimentos reais de educadores e instituições parceiras que já utilizam e recomendam o programa! 

***

Abaixo, você pode conhecer outras referências de conteúdo exclusivos do programa LIV:

***

O LIV – Laboratório Inteligência de Vida é o programa de educação socioemocional presente em escolas de todo o Brasil, criando espaços de fala e escuta para ampliar a compreensão de si, do outro e do mundo.

Assine nossa news

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Comentários
Lais

Muito bom! Tem ajudado muito as crianças a lidarem com sentimentos,medos e emoções