Como criar um ambiente escolar acolhedor? - Histórias reais com o LIV

Como criar um ambiente escolar acolhedor? – Histórias reais com o LIV

29 de março de 2022

Confira histórias sobre escolas que buscam diversificar o ambiente escolar e torná-lo mais acolhedor com a ajuda do programa LIV.

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Estudos nacionais e internacionais mostram que os espaços físicos nas escolas têm uma influência significativa no bem-estar geral de estudantes, professores, diretores e administradores. Essas pesquisas sugerem, ainda, que os ambientes escolares afetam a maneira como os alunos aprendem e influenciam seu desempenho acadêmico e socioemocional. E quem passou o tempo da pandemia longe dos corredores e salas de aula, sabe disso na prática.

Para entender melhor esse impacto positivo do ambiente escolar acolhedor, vamos primeiro entender o que dizem pesquisas e especialistas no tema. Em seguida, você vai conhecer histórias coletadas pelo LIV.

Estudos sobre o impacto de um ambiente escolar acolhedor

De acordo com as pesquisadoras Giselle Arteiro (Brasil) e Carol S. Weinstein (Estados Unidos), os ambientes físicos podem ter um impacto no aprendizado, moderando variáveis ​​sociais, psicológicas e instrucionais. 

Weinstein sugere que os espaços físicos nas escolas podem facilitar ou inibir a aprendizagem, por meio de relações e da maneira como os alunos interpretam o ambiente. Na mesma linha de raciocínio, Arteiro destaca que os espaços podem inclusive promover determinados sentimentos: 

“Quando questionados a relatar sobre a escola de nossa infância, geralmente a imagem que evocamos é a de um espaço impregnado de significados, valores e experiências afetivas, que pode ser traduzido em sentimentos como alegria, segurança, bem-estar e conforto, ou mesmo, medo, insegurança, disciplina e opressão. Esse espaço, repleto de vivências sociais e cognitivas, revela uma dinâmica de relações que ultrapassa a mera noção de espaço tridimensional, passando a ter uma significação de ‘lugar’, reconhecido e vivenciado por seus usuários”.

Por essas razões, ambas as estudiosas recomendam que os ambientes de aprendizagem nas escolas sejam considerados tão importantes quanto o currículo, e que os aspectos físicos da aprendizagem sejam cuidadosamente planejados pelos professores, a fim de corresponder aos objetivos de ensino e às necessidades de aprendizagem dos alunos.

Mas, se boa parte de nossas escolas foram montadas pensando em uma educação do século XIX e ainda são afetadas pela pandemia, como então trazer para o aprendizado em sala de aula uma cultura de transformação e de autonomia de pensamento?

Para as especialistas que conversamos, mais do que construir novos prédios ou adentrar em modismos de salas temáticas e espaços maker, as escolas precisam primeiro quebrar o paradigma de que aprender não é apenas receber passivamente conteúdo de terceiros. 

“Se a criatividade e a inteligência das crianças são premissas valiosas (e são!), como as escolas podem ambientar os espaços considerando essas premissas? Muito além dos materiais que cada escola possui, essas premissas devem ser parte do projeto e dos valores. Dessa maneira, cada escola poderá preparar seus ambientes, materiais e pessoas para esse fim”, defendem Vitiello e Holanda.

Nesse sentido, elas recomendam que as instituições de ensino que buscam essa mudança considerem em seu espaço físico locais nos quais as crianças tenham acesso visual umas às outras e possam interagir – respeitando, é claro, os protocolos de cuidado e segurança que a pandemia exige. 

“Ao entendermos o espaço como parte essencial do projeto pedagógico, a pergunta que se deve fazer é a seguinte: Com base no que tenho, como tornar esses ambientes mais acolhedores, investigativos e relacionais?”, questionam.

Para ambas as pedagogas, a imagem de criança que carregamos deve estar explícita em nossas escolhas, sejam elas sobre o espaço, os materiais, o processo de avaliação, os professores ou qualquer outro elemento que componha o fazer diário em uma escola. 

“Na sociedade contemporânea, os alunos são obrigados a aplicar e comunicar seus conhecimentos, habilidades e entendimentos em uma ampla variedade de configurações. Consequentemente, é vital que as culturas nas quais aprendam estejam de acordo com as culturas e contextos sociais mais amplos em que vivem e que os ambientes de aprendizagem sejam projetados para refletir essas culturas e contextos”. 

Por isso, para além dos ambientes da escola, os educadores precisam ampliar o olhar para as possibilidades oferecidas em sua própria comunidade, bairro ou cidade. Nesse sentido, é essencial que as crianças tenham acesso aos parques públicos, museus, cinemas, bibliotecas – ou seja, lugares que transpiram cultura, incluindo a cultura do próprio lugar que ocupam.


4 histórias de ambiente acolhedor em escolas parceiras do LIV 

Diante de tantas evidências e pesquisas acadêmicas mostrando as vantagens de se pensar criticamente sobre o espaço educativo, expandir as possibilidades dentro e fora das escolas passou a ser uma busca de muitas instituições e até comunidades. 

Nos materiais destinados às escolas parceiras do Laboratório Inteligência de Vida (LIV), os educadores são incentivados constantemente a repensar a organização de suas salas de aula, readaptando a tradicional formação em filas para novos formatos, como círculo ou formato U, que facilitam o diálogo e o olhar coletivo. Mais recentemente, as orientações também foram adequadas considerando os protocolos de segurança e saúde, mas sempre com o olhar atento para deixar o espaço o mais acolhedor possível.

Ao longo dos anos, muitas escolas expandiram o olhar para outros espaços e disciplinas, transbordando o espaço físico das salas de aula. Para contar como isso acontece na prática e inspirar outras escolas, selecionamos algumas histórias de instituições parceiras que contaram um pouco sobre seus espaços e escolhas pedagógicas relacionados a eles. Confira a seguir: 

 

  • Escola Eleva

A primeira história é da Escola Eleva, instituição que nasceu no Rio de Janeiro e se diferencia por ter um currículo amplo e voltado à formação integral do aluno, tendo a educação socioemocional como um de seus pilares. A escola também é reconhecida por seus projetos arquitetônicos, que são visitados por educadores de todo o Brasil em busca de inspiração.

De acordo com Isabella Sá, diretora do lower school, a missão da instituição se reflete em cada espaço e momento da rotina escolar, inclusive nos corredores durante as trocas de atividades. “Nossa missão se traduz em duas linhas: como o aluno transforma a própria vida, usando autonomia para buscar conhecimento e encontrar os saberes pelo mundo, e como ele participa da comunidade em que vive, contribuindo e criando nela. Esses dois conceitos estão totalmente alinhados com um aluno que não fica sentado dentro de um espaço recebendo conhecimento passivamente”, disse em entrevista ao LIV.

Segundo Isabella, os espaços de aula na Eleva são montados para que ofereçam vivências em grupos e facilidade de acesso à informação, tendo como base o conceito de que o espaço é um terceiro educador. Em ambas as unidades, o design visa oferecer e provocar a vida colaborativa. “Isso não acontece apenas no maker space, mas em todos os momentos, até na maneira como o educador monta o espaço, organiza e reorganiza, pensando se fará grupos e subgrupos”, explica. 

O campus da escola também é utilizado pelo aluno com autonomia. “O conhecimento chega ao aluno não só pelo professor. Esse aluno fica mais inquieto em seu desejo de saber e, diante disso, os movimentos que podem provocar nos espaços educativos também precisam trazer inquietude”. 

Na Escola Eleva, o projeto arquitetônico dá destaque aos espaços abertos. Na unidade Botafogo, o uso de corredores e espaços de transição oferecem novos momentos de contato, por exemplo, enquanto na unidade Barra o espaço é ampliado com árvores e pátios.

 “O tempo inteiro o aluno está sendo provocado a se movimentar. Durante a transição pelo corredor, por exemplo, ele encontra bibliotecas e laboratórios abertos, com outros alunos e educadores atuando neles. Nessas trocas com outras áreas dos saberes, pode haver a resposta para as buscas de pesquisa e conhecimento que ele deseja fazer. A gente pensa nos momentos de transição, pois eles fazem parte da nossa rede de horários. Não é apenas ter aulas, pois isso não provoca o movimento, e consequentemente não provoca o encontro com outros colegas, professores e espaços educativos dentro da escola”, completa Sá.

 

  • Colégio Raízes

No Colégio Geração Raízes, de Araçatuba, no interior de São Paulo, a escolha dos professores de LIV para promover o uso de outros espaços na escola foi criar uma representação da Casa Amarela em uma área de passagem entre as salas, o que motivou a maior convivência entre alunos de diferentes etapas. 

Na história que acompanha o material do programa LIV para os anos iniciais do Ensino Fundamental, a Casa Amarela é o local para onde vão os filhotes Mel, Lupe e Juno e sua turma quando começam a crescer, em uma analogia com a entrada das crianças pequenas na vida escolar. A narrativa é exclusiva do LIV e foi criada em parceria com Blandina Franco e José Carlos Lollo.

Para incentivar a colaboração entre as turmas, os professores também convidaram os alunos mais velhos, do 8º ano do Ensino Fundamental, para trabalhar na construção desse espaço e presenteá-lo simbolicamente para as turmas da Educação Infantil.

“Quisemos criar um lugar para que eles pudessem sair da sala de aula e ir para esse espaço, para a casa amarela, um lugar que tivesse significado para eles. Decidimos então envolver os alunos do 8º ano para criar esse círculo afetivo. Eles foram atrás dos materiais, caixas e tintas, em um projeto coletivo apoiado pelos demais professores. Deixaram a casa pronta para o dia da surpresa. Foi muito simples, mas muito significativo”, conta Ana Karina, uma das docentes que trabalha com o material do LIV na instituição.

Por ter sido colocada em um local de bastante movimento na escola, a Casa Amarela se tornou um ambiente que todos puderam usar, inclusive os alunos mais velhos, que também cuidavam da casa e chegaram até a conhecer as histórias dos livros infantis a convite das professoras. 

 

  • Wish School

A terceira história é de uma escola que foge ao convencional, onde não há turmas divididas por idade, grade de aulas pré-estabelecida ou sinal para demarcar as trocas de atividade. Em seu projeto pedagógico, a Wish School conta com o programa LIV e promove uma abordagem holística, que leva em conta aspectos físicos, emocionais, sociais, culturais, criativos, intuitivos e espirituais da natureza de cada estudante – uma tarefa que requer espaços modulares e de fácil acesso para facilitar a circulação e a troca de ideias.

Criada originalmente em uma casa na cidade de São Paulo, a escola mudou-se para uma nova área, onde contou com um projeto arquitetônico criado por especialistas e com a colaboração dos próprios alunos, que ofereceram suas ideias. Para a diretora Andressa Lutiano, esse processo de escuta das crianças foi fundamental para criar o espaço desejado. 

“Fizemos um processo de escuta para que os alunos contassem o que desejavam na escola, e os arquitetos fizeram um trabalho conosco de traduzir e adaptar os pedidos. Um aluno pediu uma pista de kart, por exemplo. É claro que não seria possível ter uma pista na escola, mas fizemos um exercício para desenhar o que eles pediam e entender o que desejam com aquilo. Uma pista de kart significava ter espaço para correr, a velocidade, o vento na cara, e fizemos essa tradução com um espaço para correr, onde é possível contornar todo o espaço da escola”, conta.

Outro destaque da escola são os espaços móveis, transparentes e flexíveis. “O mais próximo que chegamos da sala de aula é a chamada sala de referência, que funciona como um ponto de encontro para o início do dia, na qual os alunos de um grupo multietário se reúnem. Depois desse momento, as atividades podem acontecer em qualquer espaço da escola, dentro do que foi planejado pelo grupo. Cada criança tem um plano de atividades pessoal, com determinadas opções, mas ele pode escolher onde realizá-las, seja individualmente ou em grupo. Ao final do dia, se reúnem para uma análise do que aconteceu”, conta a diretora.

Além de corresponder com o projeto pedagógico da escola, a abertura espacial também atende ao pedido de uma aluna que, durante a escuta com arquitetos, contou que ficava curiosa dentro da sala querendo saber o que acontecia nos demais ambientes. Assim, as paredes transparentes convidam à livre circulação e expõe todas as possibilidades da escola. De acordo com a gestora, essa dinâmica favorece uma “polinização de ideias”, pois os grupos se esbarram ao longo do dia e acabam vendo as atividades uns dos outros. 

A organização da rotina fica por conta dos combinados de grupo, que falam sobre a importância de respeitar os momentos de trabalho coletivos e individuais, que variam de acordo com a necessidade e perfil de cada aluno e cada turma. “Às vezes eles entram e participam ou levam uma ideia para um trabalho que estão fazendo em outro lugar. Nesse sentido, não há sinal e não precisa pedir para ir ao banheiro, por exemplo. É uma circulação que os autoriza a ir e vir”.

 

  • Colégio Rodin

O Colégio Rodin é daqueles que têm a sorte de ter um recanto de área verde para seus alunos e professores e seu uso é constantemente incentivado. Para o professor de LIV Rafael Bezerra, isso oferece a possibilidade de trabalhar suas atividades em, pelo menos, quatro espaços distintos, incluindo a sala de aula, o jardim externo, a quadra e uma sala ampla multiuso.

O preferido do educador é a sala ao ar livre. “É literalmente uma sala de aula em espaço aberto, com um piso rústico de pedra, cadeiras móveis de material mais rústico e uma lousa de vidro. Junto a esse cenário, há um espaço grande de grama, com árvores que fazem sombra, além de flores e plantas. Essa interação com o verde desperta uma série de sentimentos nos alunos, como a leveza de estar lidando com a natureza. De todos os espaços, é o mais aconchegante e sempre procuro usar”, conta o docente.

Uma das possibilidades do espaço externo que o docente utiliza é a realização de dinâmicas e conversas, como o Círculo da Confiança, uma atividade do programa LIV na qual os alunos falam mais abertamente sobre um determinado tema, desenvolvendo a confiança mútua. 

“Eu costumo fazer o círculo da confiança nesse espaço ao ar livre por conta da leveza que ele oferece. Em um cenário mais natural, os alunos ficam mais à vontade, aos poucos vão se soltando. É sutil, mas já notei: quando faço essa atividade na sala ao ar livre, eles chegam tímidos, depois se soltam. No retorno, eu percebo que eles cumprimentam e conversam com os demais alunos no pátio. É como se ficassem mais abertos e voltassem mais leves de lá”, afirma o professor.

Apesar das possibilidades do espaço verde, o docente afirma que não deixa de usar a sala de aula tradicional. “Quando a atividade demanda pouco espaço, eu procuro utilizar a sala de aula para os alunos poderem ver que ali não é um lugar chato, que coisas legais podem ser feitas dentro dessa sala também. Tudo depende da forma como eles estão vendo as aulas. Em alguns casos eu acabo mudando o layout, fazendo um U, um círculo, ou tiro as carteiras, mas sempre olhando para como acrescentar algo novo a esse espaço convencional, para que eles tenham vivência e visão de que a sala de aula é um lugar que pode ser legal”, conclui.

Ambiente escolar acolhedor: Sala LIV

No LIV, acreditamos que o ambiente precisa ser inspirador e provocador. Redesenhar o ambiente escolar não quer dizer ter mais espaço, mas sim como utilizá-los. A arrumação de uma sala, uma subdivisão em grupos, um planejamento interdisciplinar com o professor da sala ao lado para integrar grupos em rodízio de atividades e pesquisas são algumas possibilidades.

Além disso, para inspirar mais as escolas, criamos a Sala LIV, uma nova experiência para alunos, professores e todos aqueles que compõem a comunidade escolar. Um ambiente acolhedor pensado especialmente para tornar as aulas de LIV ainda mais lúdicas e interativas, considerando a utilização dos objetos nas dinâmicas e atividades desenvolvidas.

O kit é composto por 19 itens, incluindo placas para portas e paredes com mensagens e destaques do programa; adesivos para interação dos alunos; totens e cubos que podem ser impressos e montados para ambientar o espaço rapidamente; e até almofadas e um tapete ilustrados pelos personagens favoritos do material LIV. Para saber mais sobre a Sala LIV, entre em contato com nossos consultores.

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Esses são apenas alguns destaques do programa LIV. Acesse o e-book Educação e Afeto nas Escolas: Histórias que Acolhem e conheça outros depoimentos reais de educadores e instituições parceiras do programa. Abaixo, navegue em outros conteúdos exclusivos:

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O LIV – Laboratório Inteligência de Vida é o programa de educação socioemocional presente em escolas de todo o Brasil, criando espaços de fala e escuta para ampliar a compreensão de si, do outro e do mundo.

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Nota do editor: As entrevistas deste post foram realizadas antes do início da pandemia. As atividades e os ambientes citados podem ter passado por adequações e ajustes no período.

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