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É possível garantir o equilíbrio emocional na infância?

Ediane Ribeiro conversa sobre o tema no novo episódio do videocast do LIV

A cena acontece em várias famílias: a criança pequena se joga no chão, chorando e berrando, ao sentir raiva, tristeza ou frustração, e os adultos em volta não sabem muito bem como reagir. Uns acham que é preciso interromper o que chamam de birra, outros optam por ignorar até que o pequeno, exausto, pare. Alguns acolhem o que a criança está sentindo, mas, seja qual for a reação dos cuidadores, uma pergunta costuma pairar entre todos: é possível o equilíbrio emocional na infância? 

Esta foi justamente a pergunta que Renata Ishida e Joana London, gerente pedagógica e diretora pedagógica do LIV, respectivamente, fizeram à psicóloga Ediane Ribeiro, convidada do novo episódio do vídeocast “Sinto Que Lá Vem História” Numa conversa franca e cheia de reflexões sobre como lidar com as emoções, Ediane pontuou que, em primeiro lugar, é preciso entender que o modelo de equilíbrio emocional que quase todos imaginamos, caracterizado pela calmaria, sem mudanças bruscas para cima ou para baixo, simplesmente não existe. 

“Equilíbrio emocional como uma linha reta, estático, não é possível nem desejável. É preciso redefinir este conceito. No geral, quando as pessoas falam em equilíbrio pensam em um estado inalterado de conforto. Mas o que caracteriza a vida é o movimento, que é a entrada e saída de diferentes tipos de emoções, que nos informam sobre o que estamos vivendo. Ou seja, equilíbrio emocional não é sobre só me sentir bem, nunca me irritar ou perder a calma. É sobre poder sentir todas essas informações da vida sem nos perder nessas emoções”.

Como os adultos podem ajudar as crianças a lidar com suas emoções?

Ninguém controla o que vai sentir e, no caso de crianças pequenas, que ainda estão aprendendo a se comunicar com palavras, as emoções  se manifestam através do corpo,, seja pelo contato físico, como uma mordida, ou com atitudes, como as vezes em  que se jogam no chão durante as temidas crises de manha. É necessário tempo para que elas aprendam outras formas de reagir, e a participação de adultos, nesse processo, é fundamental. São eles que dão contornos ao que elas sentem e traduzem o que elas não conseguem expressar pela fala.

“A gente não nasce com a habilidade da autorregulação, ela é desenvolvida. Toda regulação no adulto foi primeiro uma corregulação na criança”.

Essa corregulação, explicou Ediane, acontece, por exemplo, quando um adulto pega no colo um bebê que está chorando e começa, quase que instintivamente a niná-lo. O movimento joga para baixo o estresse do bebê e o acalma.

“Nas crianças pequenas, essa regulação passa muito pelo contato. A pele é nosso primeiro órgão de bordas e fronteiras, de levar informações, de sintonia com o bebê”.

Mas, atenção, essa corregulação, alertou Ediane, é de mão dupla. Muitas vezes, disse, os filhos vão manifestar um estresse que é dos cuidadores. 

“Nossos sistemas nervosos se corregulam uns com os outros. Então, às vezes, o estresse da pessoa que está ao redor, do cuidador principal, está em ebulição, não necessariamente manifesto em forma de agressividade ou grito, mas afeta o sistema nervoso da criança, que vai começar a gritar e a chorar por causa dos pais”.

 

 

Acolher as emoções, independentemente de quais sejam

Com crianças mais velhas, o procedimento é diferente. Embora seja possível e bom oferecer colo, é preciso também ajudá-las a reconhecer e nomear o que elas sentem, validando suas emoções.

“Se uma criança está com raiva porque o irmão menor quebrou um brinquedo dela, sente uma raiva legítima. Mas, muitas vezes, o adulto deslegitima essa emoção, falando que é feio querer bater, que ela precisa dar um abraço no irmãozinho. Esse comportamento faz com que a criança não aprenda as funções das emoções. Quando ela é posta pelo adulto para abraçar a fonte de raiva, quem está violando o limite dela naquele momento? O que ela precisava era de um adulto minimamente regulado que falasse para ela, “meu amor, isso que está fazendo o seu maxilar apertar, se chama raiva. Você está sentindo porque seu irmão quebrou seu brinquedo, mas a gente não resolve isso batendo com o carrinho na cabeça dele. Vamos tentar encontrar outra forma de resolver essa raiva?”.

Cuidar das próprias emoções também é necessário

Ediane também lembrou que pais não são imunes a reagir de forma equivocada diante dos filhos e disse que para isso existe a possibilidade de reparação, de pedir desculpas, de reconhecer o erro. 

“Quanto mais continente você criar para recepcionar suas emoções, mais vai conseguir recepcionar as do outro. Mas se você não conseguir recepcionar as suas, a emoção da criança vai desorganizá-lo e aí vira uma bola de neve porque quanto mais desorganizado você estiver emocionalmente, mais o nível de estresse da criança subirá. O processo passa realmente por um dever de casa dos pais, que é saber lidar com as próprias emoções”.

E qual o papel das escolas no cuidado com as questões emocionais das crianças?

“Eu acho que a relação da família com a escola precisa ser uma dança, as duas precisam estar juntas no mesmo ritmo. E dando passos que não se atropelem, que ninguém pise no pé de ninguém. As iniciativas das escolas de incluir programas de educação  socioemocional, que estimulem esse diálogo sobre sentimentos, ajudam as crianças a não ficarem vulneráveis no lugar que passam a maior parte do dia”. 

Gostou do conteúdo e quer saber mais? O episódio na íntegra já está disponível, de forma gratuita, no player do Spotify abaixo e nas demais plataformas de áudio, além da página oficial do LIV no YouTube. Confira!


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