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Letramento emocional: a chave para entender como nos sentimos

Muita gente já ouviu falar em letramento racial, a capacidade de compreender, analisar e interpretar criticamente questões relacionadas à raça e etnia. O conceito, criado pela socióloga americana France Winddance Twine em 2003, ajuda a conscientizar sobre a estrutura e o funcionamento do racismo na sociedade, colaborando para o seu combate. Mas, existe ainda um outro letramento, também muito importante e pouco conhecido: o emocional.

Ele nada mais é do que a nossa capacidade de reconhecer e compreender nossas emoções e das pessoas ao nosso redor, seja na escola, em casa, no trabalho ou em qualquer outro ambiente. 

“O letramento emocional nos ajuda a entender como nos sentimos em certas situações, quais nuances que determinadas emoções trazem à nossa vida. Além disso, também nos ajuda na troca com o outro. Ele permite olhar e identificar qual sentimento está afetando uma outra pessoa e nossa relação com elas”, explica Maira Maia, supervisora pedagógica do LIV. 

Letramento emocional se aprende no dia a dia 

O letramento emocional acontece a partir do convívio social. É no dia a dia que ele pode ser desenvolvido, por isso, é preciso exercitá-lo sempre. A escola, como um dos primeiros ambientes da infância, possui um importante papel socializador e, agindo intencionalmente, pode se tornar um grande aliado no letramento emocional de crianças e adolescentes.

“Nós nascemos com aptidões e habilidades que, com a ajuda dos cuidadores, vamos descobrindo e desenvolvendo até chegar à autonomia. E é a mesma coisa com o letramento emocional. Nosso meio social nos ajuda a nomear e a entender aquilo que sentimos a partir da troca com o outro”, afirma. 

Olhar para o outro também é importante

Outro ponto positivo do letramento emocional é permitir o acolhimento dos sentimentos do outro. Mas essa aptidão vai além disso: quem desenvolve a habilidade é capaz de ajudar as pessoas ao seu redor a entenderem melhor a si mesmas.

“Guardar nossas dores, angústias e até a felicidade não faz bem, precisamos falar sobre nossos sentimentos. Isso vale até na hora de ajudar o outro, numa rede de apoio. Às vezes, a pessoa apenas não encontra repertório para explicar suas emoções, e faz parte do letramento e do processo de educação socioemocional ajudar o outro a se entender”, defende Maira. 

Singularidade também pesa no aprendizado

Cada pessoa desenvolve o letramento emocional de uma forma, pois o processo depende das vivências individuais e até mesmo da cultura, já que cada sociedade encontra e ensina, a partir de ritos e festas, seus caminhos para lidar com as emoções.

“O luto, por exemplo, é vivido de forma diferente dependendo da região. Há culturas em que o velório é ligado ao medo e as crianças não participam desse ritual. Já em outras, esse momento de velar o corpo tem outro significado e o ambiente social vai apresentando à criança como lidar com a situação”, diz Maira.

Como o LIV ajuda no processo 

Embora o letramento emocional seja contínuo ao longo da vida, aprender a identificar e a compreender as emoções desde a infância pode tornar o processo mais fácil. Por isso, o LIV trabalha com materiais que oferecem aos educadores e às famílias ferramentas que ajudam crianças e adolescentes a reconhecer e nomear  o que sentem.

No dia a dia das escolas, as aulas LIV trazem uma série de atividades, de acordo com a faixa etária, que auxiliam nesse letramento. Nas fases iniciais, personagens criados exclusivamente para o programa ajudam as crianças a reconhecerem o que sentem. Nos anos seguintes, outros recursos são empregados, incluindo séries audiovisuais e jogos exclusivos.

As escolas parceiras também contam com um material aprofundado de formação continuada, encontros virtuais, acompanhamento pedagógico com consultores LIV e e-books de educação socioemocional, com informações, relatos e dicas práticas.  

“É importante trabalhar isso no currículo escolar, para ajudar a criança a ter mais repertório para o diálogo, e também em casa, conversando olho no olho e validando os sentimentos das crianças”, defende Maira. 

Um dos exemplos é um episódio que aconteceu com Maria Cecília, aluna do Colégio Farias Brito, parceiro do LIV. Caçula da família, ela ficou chateada depois que seus pais começaram a dar muita atenção à irmã mais velha, que estava com o braço imobilizado após machucar o ombro. A partir de personagens do material do LIV, como o lobinho Tomás, ela entendeu o que era aquele sentimento que a incomodava, aprendeu caminhos para se expressar e, junto com a família, descobriu o que fazer. 

“Eu estava muito triste porque só estavam dando atenção para minha irmã. E  eu vi uma história do LIV que um irmão ficava com ciúmes, igual a mim. Então pedi desculpas, porque não estava entendendo nada”, disse Maria, que passou até a ajudar a irmã a carregar os materiais na escola. 

A importância das habilidades socioemocionais tem ficado cada vez mais evidente. Prova disso é a criação do SEL Day (do inglês Social and Emotional Learning), em 2020, uma campanha global de valorização e divulgação dessas práticas, que tem o apoio do LIV.

Neste ano, o programa trouxe uma série de depoimentos como este de Maria Cecília e que você pode conferir clicando aqui

 


Gostou do conteúdo e quer conhecer mais sobre o LIV e o desenvolvimento de habilidades socioemocionais? Confira mais nas redes sociais e fique ligado nos episódios do nosso podcast Sinto que Lá Vem História.

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O LIV – Laboratório Inteligência de Vida é o programa de educação socioemocional presente em escolas de todo o Brasil, criando espaços de fala e escuta para ampliar a compreensão de si, do outro e do mundo.