CONVERSA FAMÍLIA/ADOLESCENTE

Por Equipe LIV

 

Muito se fala a respeito de uma crise vivida na adolescência. Não são raras as reclamações direcionadas aos jovens durante esse curto, porém intenso, momento de vida. A incompreensão e o preconceito diante das diferenças geracionais entre os adolescentes e seus responsáveis podem acarretar distanciamento, constantes desentendimentos e muita dor de cabeça. Dessa forma, achamos importante destacar algumas situações esperadas nessa fase. As mudanças físicas,

o aumento das responsabilidades e as questões que permeiam nossa cultura vão convocar o adolescente a se reorganizar, o que pode gerar uma série de comportamentos que antes não apareciam ou não eram tão frequentes.

As oscilações de humor e de comportamento, portanto, não são necessariamente sinais de doença, de desrespeito ou de frescura; podem ser apenas reações às mudanças que costumam acontecer nessa fase da vida. Algumas delas serão abordadas aqui, porém o universo de cada adolescente é muito mais amplo e complexo do que é possível descrever em algumas páginas. Assim, apresentaremos propostas de cuidado e pontos de atenção para que você acompanhe essa etapa da caminhada desafiadora que é a educação de crianças e adolescentes.

Ao ler cada uma delas, permita-se voltar no tempo e trazer as sensações daquela época à tona. Como era sua relação com a família? Havia muita cobrança? Eram parceiros ou distantes? E seus amigos? Eram poucos e bons ou era um grande grupo? Sua família gostava deles? A moda te influenciava? E os padrões de beleza do momento? Solidão, angústia e ansiedade foram sentimentos experimentados naquela época? Alguém te ajudou? E como foi escolher sua carreira profissional?

Agora imagine viver todas essas questões em um mundo mais rápido, competitivo e digital, como o de hoje. Imaginou? Acreditamos que a leitura por meio de olhos empáticos pode garantir uma reflexão mais profunda e, quem sabe, ajudar em novas ações.

 

FAMÍLIA

 

Não é só o corpo que muda, não são apenas as conexões nervosas que se refazem; seu lugar no mundo também se desloca. As brincadeiras de antes já não fazem mais sentido, as cobranças da sociedade aumentam, e, com elas, a responsabilidade sobre escolhas e atos. Essa transição nem sempre é vivida de maneira tranquila; a saída da infância pode ser violenta, com o rompimento daquela certeza – até então sustentada – de que “vai dar tudo certo no final”. Essa crença

cai por terra, segundo o psicanalista Charles Melman, quando se começa a perceber que seus pais (pai, mãe ou responsável) são humanos, com falhas e limitações. E é aí que se descobre a realidade mais dura e concreta do mundo. E mais: é nesse mundo não tão maravilhoso assim – comparado com o mundo dos seus sonhos de criança – que a pessoa é convidada a ingressar. Fugir ou aceitar? Eis a confusão.

 

A turbulência ou o afastamento da família podem acontecer por conta desses fatores, mas também porque nós, adultos, já esperamos de antemão um comportamento estranho do adolescente – ou tememos não saber conversar com ele – e o isolamos sem perceber.

Diferentemente de quando eram pequenos, quando era fácil ser o centro das atenções, os adolescentes vão se tornando invisíveis. Quem se afastou primeiro? Será que não deixamos d tocar, olhar e demonstrar interesse? E, por interesse, entende-se não necessariamente preocupação  controle, mas a genuína curiosidade de compreender o mundo do outro.

Provavelmente ele não vai querer compartilhar tudo, e é até saudável que não o faça. Começar a ganhar autonomia e privacidade – realmente sair debaixo das asas dos seus responsáveis – é fundamental para o desenvolvimento emocional.

Isso não significa, todavia, um descolamento total. A adolescência implica crescimento, e ele leva tempo. E, durante esse processo, a responsabilidade deve ser assumida pelas figuras responsáveis. Segundo o pediatra e psicanalista inglês Donald Woods Winnicott (1975), “se essas figuras abdicam, então os adolescentes têm de passar para uma falsa maturidade e perder uma vantagem genuína: a liberdade de ter ideias e de agir segundo o impulso”.

Estabelecer um equilíbrio entre permissão e controle, entre invasão e respeito à privacidade, entre seus limites e as vontades do adolescente é tarefa nada fácil. Em muitas ocasiões, as famílias funcionam como alvo de certas provações diante das frustrações vividas, o que vai exigi sensibilidade, paciência e compreensão. Até porque ninguém gosta de ver alguém tão querido sofrer, mas, se pavimentarmos todas as estradas pelo outro, como ele aprenderá a construir os próprios caminhos?

Dar espaço com segurança para suas tentativas e erros, bem como legitimar suas falas  ouvi suas perguntas, são apostas de uma educação encorajadora para que ele consiga ser protagonista da própria vida. Um adolescente que faz perguntas duras a si mesmo e aos adultos não está apresentando um comportamento desviante. São perguntas inteligentes, de quem percebe o mundo em que vive, e de quem se recusa a se alienar. Nelas, estão contidos os aspectos mais excitantes da matriz de raciocínio criativo, sentimentos inéditos e questionadores, ideias de um novo viver. Vale escutá-las. Acreditamos que a troca fará mais sentido para todos os lados.

 

AMIZADE

 

Amizade, nessa idade, parece que vira a coisa mais séria do mundo. Você, que já passou por tantas reviravoltas nesta vida, sabe bem sobre a fragilidade das relações. Num dia, se é amigo; no outro, pode ser que não. Existe amizade para toda a vida, mas também muita gente que é passageira. Saber disso, porém, autoriza-nos a falar sobre quem é ou não é importante? Autoriza-nos a questionar a longevidade dos encontros de nossos filhos com quem eles quiserem?

Provavelmente, muita gente que não faz mais parte do seu círculo social foi fundamental em determinados momentos da sua vida. Ou seja, existem pessoas que são importantes para superarmos uma etapa, para nos incentivar em um sonho, pessoas que fazem toda a diferença naquele momento, mas que depois podem se afastar. Relembrar nosso percurso facilita compreender o dos mais jovens.

Andar em grupos, por exemplo, lembra você da sua adolescência? Fazer parte de um é a comprovação de que existe um lugar em que você se encaixa no mundo. É a experiência de fraternidade, da proteção, da identidade e da compreensão. Saber que existem outras pessoas que sentem da mesma forma ou que passam por situações semelhantes proporciona uma sensação de acolhimento. Por isso, não se assuste nem ache que é por rejeição caso agora as experiências, as aflições e os dilemas sejam compartilhados preferencialmente com os amigos.

Sabemos também que existem aquelas amizades que preocupam. Ver quem você ama na companhia de uma pessoa que, aos seus olhos, tem um visual diferente ou cuja família você desconheça ou ainda que aparente ter hábitos de que você discorda provoca um receio de que essa relação será uma influência. Esse medo faz parte da vida de qualquer responsável cuidadoso e atento. Mas será que ficar criticando os amigos não soa como se o adolescente não fosse capaz de escolher as próprias amizades ou como se você o considerasse sem personalidade a ponto de imitar completamente o outro? Ou, ainda, que seu foco está mais no amigo ou na amiga (como se veste, onde mora, quem é a família) do que em como é essa relação de amizade, ou seja, como é sua filha, seu filho ou seu ente querido nessa relação? A fim de prevenir um provável afastamento comum quando o adolescente sente que suas escolhas não são respeitadas, a alternativa seria acompanhar a vida dele sem invadir sua privacidade. Isso pode ser bem difícil, já que, durante toda a infância, o controle das companhias e amizades era seu, afinal, era você quem levava para os lugares, convidava para a festa de aniversário e regulava o uso da internet.

Nós, do LIV, apostamos que falar sobre sua dificuldade em lidar com essa nova configuração pode gerar o efeito contrário do que se imagina; pode trazer aproximação. Mostrar que você se preocupa e que ainda é o responsável, mas que, ao mesmo tempo, respeita esse movimento de autonomia, facilita a possibilidade de compreensão e a empatia do adolescente. É na conversa que vocês podem encontrar formas de estabelecer esses limites e garantir um espaço em que ele sempre se sentirá seguro para voltar.

Abrir a casa para receber esses amigos, mesmo que você, de alguma forma, não se identifique com eles, garante que seja possível acompanhar um pouco mais de perto essa relação até para dar oportunidade para que as fantasias que foram criadas sobre ela sejam ou não confirmadas. Se ainda assim alguma amizade te deixa inseguro, se achar que é o caso, converse diretamente com o adolescente, com a escola dele ou com algum profissional. Compartilhar angústias e percepções, principalmente com quem também acompanha a vida dele, pode abrir caminhos mais interessantes para o cuidado dessa questão.

 

CORPO E PADRÃO DE BELEZA

 

É fundamental trabalhar esse tema pela inevitabilidade das mudanças que ocorrem no corpo e pelo seu caráter denunciador. Mesmo contra sua vontade, seu corpo se modifica fisiologicamente, ou o contrário; mesmo querendo que ele mude, pode demorar um pouco mais para que a transformação ocorra. A falta de controle pode ser sentida como uma violência, pois começa se avisar e não indica quais serão os limites para o adolescente; por exemplo, se a altura será alcançada ou quanto ainda vai crescer. ,

A partir desse momento, o jovem é convocado a olhar para si e a se conhecer mais uma vez: suas novas formas, o funcionamento delas, suas dimensões, seus ciclos, suas texturas e sua imagem. O que ele enxerga no espelho, porém, pode entrar em conflito com o que ele gostaria de mostrar para o mundo ou aquilo que o mundo diz que é o mais bonito ou adequado – os famosos padrões – e causar sofrimento.

Comparar o próprio corpo com os que encontramos na revista ou no Instagram; quantas vezes já não fizemos isso? Agora, imagine o jovem, cujo corpo ainda está em formação, comparando-se com corpos adultos e já desenvolvidos? Questionar-se sobre o que pode vir a ser e se decepcionar com os caminhos que a fisiologia lhe trilhou pode ser uma experiência angustiante. Apresentar ao mundo algo que esse mesmo mundo diz que é fora do padrão é desafiador demais.

As roupas, o corte de cabelo e outros adereços interventivos e estéticos escolhidos pelos jovens podem ser usados como esconderijo dos corpos dos quais sentem vergonha. Outros usam com a função de provocar estranhamento e desconforto em quem vê. Há aqueles que transitam entre várias imagens, com a curiosidade de poder assumir vários papéis. E ainda aqueles que, por não poderem impedir o próprio desenvolvimento fisiológico, buscam usar desses artifícios para se sentir no controle.

A compreensão do grau de importância dessas questões para o adolescente é um exercício cotidiano que demanda empatia e suspensão das nossas referências. Ainda mais neste momento, em que eles começam a buscar privacidade e a ganhar autonomia e responsabilidade sobre o próprio corpo.

 

As escolhas de um adolescente podem desafiar o seu gosto, por isso, verifique se vale a pena proibir ou criticar o tempo todo a roupa eleita ou a cor da unha. Por outro lado, fique de olho nas dietas absurdas e em outras intervenções que eles queiram fazer em busca do corpo ideal. O excesso e o exagero podem prejudicar sua saúde física e trazer prejuízos emocionais. Esteja disponível para escutar, ajudar e fazer com que ele possa se sentir mais à vontade consigo mesmo.

 

PRECONCEITOS

O avanço tecnológico/científico e as transformações nas relações de gênero possibilitaram a entrada das mulheres no mercado de trabalho e no ensino superior. Apesar disso, o contexto social impede que priorizem carreiras científicas/tecnológicas no momento de escolha do curso universitário. A maioria delas continua a escolher as profissões ditas femininas.

De acordo com dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o quantitativo de mulheres que entram nas universidades é superior ao dos homens, mas a realidade é invertida quando são analisados os dados de pós-graduação e inserção no mercado de trabalho.

Segundo Mariana Galisa (2005), dados do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) revelam que há uma tendência de os cursos nas áreas de Ciências Humanas, Ciências Sociais e Ciências Sociais Aplicadas, Linguística, Letras e Artes atraírem mais mulheres do que homens. Já nas áreas de Ciências Exatas, a diferença no número de bolsistas chega a ser quase o dobro (um pouco mais de 8 mil mulheres e 15 mil homens).

Poder escolher os próprios caminhos depende de o quanto o adolescente entende quais estão abertos e são possíveis de serem trilhados. Uma menina, anos atrás, teria mais dificuldades em imaginar fazer faculdade de engenharia ou pilotar um avião. Bem como um adolescente negro da periferia, cuja família não teve oportunidade de estudar, talvez não veja o ensino superior como algo acessível para si. Quebrar a barreira dos preconceitos não só faz com que eles vivam de forma mais ética e cidadã no mundo, como os amplia em suas possibilidades de escolha e os encoraja a escaladas mais altas.

Essa quebra de barreira depende também de um convívio com a diversidade, e estabelecer que todo o mundo é diverso, que você não é o padrão e o outro é o diverso, porque não existe uma pessoa que deveria ser considerada o padrão universal é fundamental. Conhecer realidades diferentes dá a chance de o adolescente ouvir empaticamente o outro e reconhecer que sua visão de mundo não é a única, além de ensiná-lo a lidar com as divergências de uma maneira criativa e potente, e não de forma bélica e opressora.

Encontrar outras formas de pensar e agir nos torna mais includentes, colaborativos, sensíveis e criativos. A diversidade não é algo para se tolerar, mas para se celebrar. Um bom incentivo para eles, talvez, seja perceber que a própria família também está disposta a rever os próprios preconceitos.

 

CRISES EXISTENCIAIS

 

A adolescência é marcada pela busca de identidade, de experimentação de padrões, de formação de grupos, de comparação de comportamentos e de sensações oscilantes de pertencimento e exclusão. No mundo virtual e tecnológico, essa busca ganha mais intensidade, porque demanda uma constante atualização da moda, do consumo por novidades e, ainda, da comprovação de tudo isso.

Assim, o tempo do jovem, que já é preenchido quase por completo por milhões de atividades e deveres, tem o seu precioso momento de lazer transformado também em uma tarefa: é preciso registrar, colocar o filtro certo, a mensagem ideal, acompanhar o que os outros estão fazendo, avaliar a repercussão e começar tudo de novo.

O tempo é curto para tanta exigência. Haja fôlego! E até para aqueles com bom condicionamento, a interminável rotina da busca pela aprovação pode perder o sentido. Por isso, não é incomum ver tantos jovens ansiosos, angustiados ou deprimidos, com sintomas como alteração no sono, no apetite, inquietação, falta de concentração, agressividade e crises de choro.

É importante olhar para esse cenário com a atenção que esse momento pede. Comer de modo compulsivo ou perder o apetite repentinamente, insônias ou vontade imensa de dormir por horas a fio e/ou comportamentos agressivos sem motivo aparente podem ser tentativas de comunicar que algo não vai bem.

Individualmente, o cuidado se dá com escuta, acolhimento e segurança; um lugar que não menospreze nem culpe o adolescente por aquilo que está vivendo, além de oferecer caminhos mais saudáveis e que façam sentido para ele.

Todo sofrimento precisa de um lugar para escoar, precisa ser contado para se organizar e precisa de um colo para esparramar.

É importante se oferecer como ouvinte, mas não force a barra ou brigue se você não for a pessoa eleita para tal função. O mais importante é que existam pessoas da rede afetiva de cuidado com quem ele se sinta à vontade para falar. Se não existir, sugira alternativas, como a possibilidade de conversar com um psicólogo. Muitas vezes, deixamos de perguntar por receio da reação do adolescente, mas ele pode estar justamente esperando essa oferta.

Infelizmente, em alguns casos, a situação se agrava a tal ponto que a conversa com familiares e amigos não é o suficiente para tirar o jovem de determinada situação. Nessas ocasiões, os sintomas se tornam mais fortes e presentes, o que cria uma espécie de paralisia.

Ou, ainda, quadros em que outros sinais mais agressivos começam a aparecer, como vômitos, tremores e dores no corpo, automutilação e tentativas de tirar a própria vida. Procurar ajuda profissional de médicos e psicólogos é fundamental nesses casos, até mesmo para orientar a

família em como lidar com a situação e saber que não existem culpados.

A pessoa que sofre costuma responsabilizar um fato ou alguém (inclusive a si) pelo seu adoecimento, mas é uma mistura de fatores que produz sofrimento. Um dos principais fatores, ousamos dizer, é a sociedade em que vivemos hoje. Enxergar violência, destruição da natureza, guerras e grande disputa individualista entre os seres humanos, ou seja, todo esse contexto em que vivemos, pode se tornar desencorajador e frustrante. “Para que investir tanto se o futuro que me

aguarda é esse?” pode ser um dos pensamentos do jovem.

A partir disso, consideramos fundamental convocar a juventude para problematizar as formas de nos relacionarmos no mundo e questionar como podemos construir um futuro em que valha a pena viver. A impossibilidade de imaginar um amanhã possível gera impactos profundos nas pessoas, desmobiliza e desanima, tira a vontade de viver.

Recuperar a capacidade de sonhar a partir de uma realidade brutal – e não negá-la, como muita gente faz – é urgente para atravessarmos essa época e fortalecermos crianças e adolescentes dessa geração. Uns dos principais recursos são os espaços de cultura e lazer, até porque um adolescente apenas com obrigações e deveres não tem espaço para viver as frustrações. Transformá-las em arte, em jogos e brincadeiras é uma possibilidade saudável de escoar um pouco desse sofrimento.

 

ESCOLHAS PROFISSIONAIS

 

A escolha da profissão tem sido uma das decisões mais tortuosas, pois ela já é assunto, principalmente na família, antes mesmo de ser uma questão para a pessoa que vai decidir. “O que você vai ser quando crescer?” é a famigerada frase que acompanha todo o crescimento de uma criança, até que ela realmente cresce e a resposta, que antes trazia risos leves de adultos encantados pelos sonhos infantis, pode agora gerar desconforto, espanto e preocupação quando não corresponde às expectativas.

Para a família, esse momento também pode ser bastante aflitivo e vem carregado de perguntas: querer a felicidade do jovem é permitir que ele faça o que quiser? Ou a garantia de felicidade está na segurança de uma profissão que lhe renderá prestígio e dinheiro? É possível prever qual caminho lhe dará mais conforto e segurança atualmente? Será que ele tem maturidade suficiente para tomar essa decisão?

Você já deve ter feito alguns ou todos esses questionamentos sem sucesso nas respostas. Afinal, a escolha profissional é sempre uma escolha em relação ao futuro, e este é incerto e duvidoso.

A escolha, desse modo, tem mais a ver com sonho, expectativa, valores e histórias do que com alguma certeza. Além disso, o mundo está em constante mudança, e, junto com ele, estão as profissões. Algumas estão desaparecendo enquanto outras nascem. A formação acadêmica deixou de ser a garantia absoluta de sucesso para todas as carreiras, já que o que se espera do profissional vai além do diploma. A nebulosidade do que vem pela frente, porém, não faz com que as família deixem de ter suas visões e vontades. A questão que fica é a seguinte: até que ponto opinar nessa escolha?

Na verdade, é bom ressaltar que a família sempre vai influenciar de algum modo na escolha profissional, mesmo que não queira interferir. Tanto pela trajetória de seus componentes – se tiveram acesso à faculdade, se têm uma empresa ou negócio próprio – quanto pelas escolhas dos brinquedos, das atividades e da escola. Além disso, os responsáveis costumam sonhar pelos seus filhos ou entes queridos, e essa característica aparece de alguma forma, mesmo que não seja dito.

A situação fica bem complicada para o adolescente, porque ele não quer decepcionar seus responsáveis, mas também não quer decepcionar outras figuras de afeto – membros da família, amigos, professores –, e deveria ainda arranjar um jeito de agradar a si.

Falar sobre expectativas, sonhos, condições financeiras e novos desafios do mundo pode auxiliar o jovem a tomar uma decisão mais consciente. De qualquer forma, acreditamos que a interferência mais interessante, nessa perspectiva, é aquela que leva em consideração os sinais que ele apresenta e aquilo que comunica. Assim, é possível estabelecer um diálogo honesto e acolhedor, no qual entenda-se que a família é, além de conselheira, uma parceira nos desafios da vida.