A Engenhosa Mente de Cada Um: Habilidades, talentos e múltiplas inteligências

Por Amanda Mussauer, Professora de Biologia e mestre em Neurociências

Eu nunca fui a melhor aluna da turma em Matemática, mas sempre tirava as melhores notas em Ciências e Biologia. Por me identificar com a natureza e com o corpo humano, optei por me formar bióloga. Talvez você se reconheça de alguma forma nessa situação. Ou porque se identificava mais com alguma disciplina da escola ou porque seu filho ou sua filha se destaca muito em alguma coisa e em outra talvez nem tanto. Essa dicotomia é natural.
Todos nós temos um pouco de cada inteligência, mas geralmente apresentamos um ou dois tipos mais proeminentes. Muito por conta disso, algumas pessoas são muito boas em matemática, enquanto outras desenham muito bem e outras são ótimas em esporte. Cada um tem uma inteligência que se destaca mais.

O importante é nos atentarmos para dois pontos. O primeiro é que não devemos esperar que as crianças sejam boas em tudo. É muito comum que os responsáveis esperem somente resultados escolares excepcionais, e que, quando um resultado mediano chega, seja motivo de decepção. Talvez esse resultado seja por motivos externos, talvez não estivesse em um bom dia ou talvez não seja a sua área de maior habilidade. Uma situação como essa é uma boa oportunidade para exercitar o seu olhar atento para com as crianças e adolescentes ao seu redor. E também um olhar generoso, capaz de reconhecer todo tipo de resultado: será que, quando a criança é muito boa em algum esporte e arrasa em uma competição, ou quando faz um desenho incrível, o elogio é o mesmo do que quando tira 10 em matemática?

O segundo ponto que devemos estimular é que todos conseguem desenvolver suas diferentes inteligências e habilidades, até mesmo aquela que não se mostra tão proeminente, e isso ocorre por causa da plasticidade cerebral. É isso mesmo, podemos afirmar que o cérebro é plástico. Mas o que isso quer dizer? A Inteligência Natural é relacionada ao reconhecimento e conhecimento da natureza.

O cérebro é capaz de mudar suas conexões, que são direcionadas e redirecionadas para criar e desenvolver habilidades específicas. Todas as habilidades e talentos que definem você como um ser humano foram adquiridas ao longo do tempo – graças à capacidade de alteração do cérebro. Essa plasticidade é maior na juventude, na faixa etária de crianças e adolescentes.

Com o passar dos anos, a construção dessas novas conexões se torna mais difícil, pois o cérebro estabelece mecanismos que controlam essas alterações, e é por isso que é muito mais rápido aprender uma nova língua na infância do que aos 50 anos de idade. Baseada nesse aspecto, a escritora Carol Dweck desenvolveu o seu conceito sobre mindset e fala que existem as pessoas com mindset fixo, que são aquelas que acreditam que habilidades são inatas, que já nasceram com elas – ou seja, se você não é bom em inglês, nunca conseguirá aprender inglês –, e as pessoas com mindset de crescimento, que acreditam que sempre podem se desenvolver em determinada área – ou seja, não sou tão bom inglês, mas consigo aprender estudando e me dedicando. Nós podemos e devemos sempre desenvolver o mindset de crescimento nas nossas crianças. Nada melhor do que mostrar a elas que, fisiologicamente, o cérebro é capaz de se desenvolver, e que elas são capazes de melhorar em qualquer área, qualquer matéria. A partir desses conhecimentos, podemos construir um espaço maior de escuta e entendimento de crianças e adolescentes, no qual se sintam acolhidas e estimuladas a crescerem e se desenvolverem em todos os sentidos e aspectos.