Como Singapura vem incluindo a educação socioemocional em suas escolas

11 de fevereiro de 2019

No final de janeiro, contamos aqui no Blog do LIV que nosso gerente executivo, Caio Lo Bianco, participou de uma visita à Singapura como parte de um grupo multidisciplinar formado pela Fundação Lemann, que contou com mais de 20 representantes de diferentes setores da educação: professores e diretores das redes pública e privada, representantes de ONGs, empresas e start-ups e secretários de educação. O objetivo do grupo era saber como o país referência em educação mundial pode contribuir com o Brasil para a implementação da BNNC (Base Nacional Comum Curricular) e para a inclusão das habilidades socioemocionais nas escolas.

No post de hoje, trazemos um pouco de nossa conversa com Lo Bianco sobre essa visita. Porém, para compreender melhor a importância dessa visita é necessário primeiro um breve histórico do país. Há cerca de 30 anos, Singapura tinha pouco destaque internacional e seu sistema de ensino estava longe de ser uma referência para o mundo. Assim como no Brasil, haviam problemas relacionados ao baixo desempenho dos alunos, à evasão escolar e ao pouco destaque para a formação profissional de seus professores.

Essa história começou a mudar quando o país asiático passou por uma revolução econômica que colocou a educação como eixo central do seu processo de crescimento. Assim, a formação e a seleção de docentes foram completamente reestruturadas. Atualmente, os professores são selecionados dentre os 30% melhores alunos de todo o país e são formados por um único centro nacional que prepara todos que vão atuar na educação básica.

Somado a fatores culturais e a um currículo escolar único para todas as escolas, esse processo foi o pilar de uma guinada de Singapura rumo ao topo das avaliações internacionais de educação, como o PISA, exame da OCDE que mede o desempenho dos alunos em leitura, matemática e ciências, e que tem atualmente nos primeiros lugares Singapura, Canadá, China (Hong Kong e Xangai), Finlândia e Coréia do Sul.

Segundo Lo Bianco, embora esse histórico recente tenha colocado Singapura como um exemplo de alto desempenho educacional, o país não se conformou apenas com esses resultados e passou a olhar cada vez mais de perto para o desenvolvimento das habilidades socioemocionais de seus estudantes. “Embora seja um sistema de ensino muito rigoroso e que exige desempenho cognitivo de seus alunos, com muita ênfase na excelência acadêmica, é um país atento às inovações mundiais e que recentemente sentiu uma grande necessidade de oferecer mais foco na formação emocional dos estudantes”, conta.

Para atingir todas as escolas de maneira equânime, essa temática passou a ser um dos pilares centrais da formação docente, garantindo que todos os educadores do país tenham um olhar atento para que o desenvolvimento de competências como criatividade, colaboração, pensamento crítico e proatividade passassem a fazer parte do dia a dia dos estudantes. “O grande aprendizado dessa visita à Singapura é entender que, mesmo com questões culturais muito particulares, existe um foco central do país na valorização de seus professores, que já vêm incorporando a educação socioemocional em suas atividades, com um olhar atento para identificar as necessidades dos alunos no dia a dia”, completa Lo Bianco.

Nos próximos meses, o grupo que visitou Singapura voltará a se reunir para refletir sobre os conhecimentos absorvidos durante a visita e nós vamos manter vocês informados de tudo aqui no Blog do LIV. Não percam os próximos posts!

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Comentários
Lucia Araújo de Almeida

Muito interessante! Essa parceria é excelente entre escola e família, precisamos Urgente de Inovação da Educação no Brasil.