Sua escola está atenta ao que os jovens querem?

23 de abril de 2020

Como seria a escola dos sonhos dos jovens? Embora seja difícil chegar a uma resposta única, há três anos a pesquisa Nossa Escola em (Re)Construção vem fazendo essa pergunta a estudantes de 11 a 21 anos e levantando resultados para promover um olhar mais atento a essas expectativas.

Na última edição, divulgada em novembro de 2019, a pesquisa recebeu através de um formulário online respostas mais de 200 mil adolescentes e jovens, sendo 99% deles matriculados na Educação Básica, tanto na rede pública quanto privada. O questionário foi criado de forma participativa com grupos de jovens e reformulado no último ano para considerar as mudanças mais recentes do cenário educacional.

Embora não ofereça amostragem censitária em relação ao total de adolescentes e jovens no País, o material mostra um pouco do que está na mente dos estudantes. A principal tônica das respostas foi que eles esperam encontrar na escola mais do que conteúdos curriculares, com espaço para descobrir suas vocações, sonhos e fazer escolhas de vida, além de lidar com emoções e ter mais qualidade de vida.

Nesse sentido, apesar de 65% dos estudantes considerarem fundamental a escola desenvolver ações para trabalhar autoconhecimento, sentimentos e relações, apenas 27% deles afirmaram encontrar essas atividades em suas escolas. No que diz respeito ao que esperam de seus educadores, as respostas também destacaram características como ser acolhedor e saber estimular o aluno a se questionar e buscar conhecimento. Confira a seguir outros destaques da pesquisa:

O desafio das relações 

Além de esperar que a escola ofereça uma melhor educação, os dados mostram que os jovens também gostariam de ter ajuda para mediar relações no ambiente escolar: 33% dos respondentes avaliam de forma negativa a relação entre os alunos em suas escolas; e 30% deles não falariam que em sua escola atual todas as pessoas são respeitadas independente de cor, religião, orientação sexual, nacionalidade e cultura.

No que diz respeito à relação entre alunos e educadores, seis em cada dez respondentes disseram que os colegas de turma não respeitam os professores, e cinco deles não consideram que o relacionamento entre alunos e professores seja bom.

A escola e a tecnologia

O uso da tecnologia no ambiente escolar foi uma das tônicas identificadas no levantamento, de acordo com apresentação de Tatiana Klix, diretora do Porvir, instituição responsável por coordenar a pesquisa em parceria com a Rede Conhecimento Social. “A principal crítica é a falta de acesso e metodologias para usar mais tecnologia”, explica. Segundo os dados, 7 a cada 10 consideram regular ou ruim esse aspecto em suas escolas.

Ainda assim, 23% das respostas apontaram preferência em participar de aulas baseadas em tecnologia, sendo que 30% citaram o uso de pesquisa online, 13% jogos, games, robótica e programação, e 10% o uso de livros digitais. O uso de vídeos, redes sociais e aplicativos foram citados por menos de 10%. Contudo, frisa Tatiana, é importante ponderar que que as respostas são relacionadas às referências e sonhos dos alunos. Para alguns, por exemplo, uma aula de robótica ainda é muito distante da realidade, enquanto para outros é algo cotidiano.

Mais participação escolar

Outro ponto observado na pesquisa foram os espaços de participação para o jovem na escola: 79% disseram que suas escolas possuem grêmio, mas só 45% acreditam que os estudantes participam, de fato, das decisões.

Para Tatiana, a principal questão na ampliação e efetivação da participação escolar é saber como aproveitar as instâncias que já existem, ou seja, grêmios, conselhos e outros mecanismos abertos, para potencializar o papel de tomada de decisão, valorizando o processo de escuta dentro da escola.

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Em sua escola, como vem sendo feita a escuta atenta dos estudantes? Mande seu relato para o LIV através do canal no Instagram @laboratoriointeligenciadevida

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