6 hábitos para professores que desejam inspirar mais empatia nos estudantes

6 de novembro de 2019

A empatia, de acordo com o psicólogo Daniel Goleman, é um elemento importante para o desenvolvimento da inteligência emocional e melhora a qualidade das relações, pois é a capacidade de reconhecer, sentir e responder às necessidades e aos sofrimentos de outras pessoas, motivando a resolução pacífica de conflitos e aceitação das diferenças.

Embora a era digital tenha proporcionado às crianças e aos jovens novas maneiras se conectar com outras pessoas, muitos pesquisadores estão preocupados com o modo como as redes sociais e a diminuição das relações face-a-face podem ter contribuído para uma queda na preocupação empática nos últimos anos.

De acordo com a pesquisadora americana e doutora em desenvolvimento humano Marilyn Price-Mitchell, estudos realizados nos Estados Unidos associam a baixa empatia ao aumento do assédio moral, ao narcisismo e à apatia cívica, dentre outros impactos sociais e emocionais. Por isso, a estudiosa defende que, ao trabalhar para desenvolver a empatia em crianças e adolescentes, os professores não apenas os ajudam a se sentir mais valorizados e compreendidos, mas também podem impactar mudanças sociais e inovações nas próximas décadas. A partir de seu livro Tomorrow’s Change Makers: Reclaiming the Power of Citizenship for a New Generation (sem tradução no Brasil), a especialista destaca seis atitudes para professores que desejam desenvolver mais empatia em seus alunos. A lista foi desenvolvida com base em entrevistas com estudantes realizadas por Price-Mitchell sobre como seus melhores professores fomentaram a empatia e os inspiraram a colocá-la em ação no mundo. Confira a seguir os tópicos selecionados pela autora:

1. Crie relacionamentos significativos com os alunos
Para que crianças e adolescentes desenvolvam a empatia pelos outros, eles também precisam se sentir compreendidos, vistos e sentidos, independentemente de como aprendem. Segundo a autora, os professores que conhecem, apreciam e respeitam os alunos além dos aspectos acadêmicos os ajudam a se sentir verdadeiramente cuidados e aumentam sua capacidade de cuidar de outras pessoas. Para saber mais sobre esse tópico, acesse o ebook gratuito “Práticas para aproximar professores e alunos”,criado pelo Laboratório Inteligência de Vida.

2. Estimule os estudantes através de mentorias
Mentoria é um processo de trabalho realizado de maneira mais individualizada com o aluno e tem, de modo geral, o objetivo de ajudá-lo se desenvolver com mais autonomia, buscando a ressignificação e a motivação no seu processo de aprendizagem, dentro e fora da escola. Os alunos entrevistados por Price-Mitchell que disseram ter participado de mentoria com seus professores atribuem a esse processo as principais razões pelas quais eles desenvolveram uma crença em sua própria capacidade de realização. Dentre as ações praticadas por esses professores-mentores, a autora destaca os seguintes tópicos:

  • Apoiar e encorajar o aluno em seus objetivos.
  • Ouvir o que o aluno têm a dizer.
  • Ter expectativas elevadas em relação aos estudantes.
  • Mostrar interesse pelos alunos como indivíduos.
  • Promover a tomada de decisão.
  • Fornecer diferentes perspectivas durante a resolução de problemas.

3. Ensine valores associados à boa cidadania
Os professores que enfatizam carinho, cooperação, compaixão, bondade, trabalho em equipe e a importância de se relacionar com os colegas de classe são poderosos criadores de empatia. A especialista defende em seu livro que, do Ensino Fundamental ao Ensino Médio, as crianças devem evoluir em três estágios de desenvolvimento, à medida que assumem papéis na sociedade: (1) Ser cidadãos responsáveis; (2) Melhorar suas comunidades; e (3) Contribuir para resolver problemas sociais.

4. Inspire os alunos a serem melhores
Um dos alunos entrevistados para o livro de Price-Mitchell afirmou que o fato de seus professores terem sido “tão dedicados a ensinar, ajudar e capacitar os alunos” foi um gesto significativo para ele: “Eles estavam sempre tentando retribuir à próxima geração. Isso realmente me inspirou”, disse o estudante. Segundo a autora, a maioria dos jovens que desenvolveram altos níveis de empatia nomeou os professores como seus principais modelos. Nesse sentido, ela listou ainda algumas características comuns a esses docentes:

  • Paixão e capacidade de inspirar
  • Conjunto de valores claro e articulado
  • Compromisso com a comunidade
  • Altruísmo
  • Capacidade de superar obstáculos na vida

5. Exponha os alunos a diferentes opiniões e visões de mundo
Quando os professores cultivam a curiosidade sobre como indivíduos e grupos de pessoas veem o mundo de maneira diferente, eles expandem os limites intelectuais, interpessoais e emocionais de crianças e jovens, entendendo diferentes perspectivas de vida. Para a especialista, quando desafiados a explorar preconceitos, encontrar pontos em comum entre outros e sua própria realidade, e imaginar como seria estar no lugar de outra pessoa, os alunos constroem uma maior capacidade de empatia.


6. Vincule o currículo ao mundo real

Os professores que tecem aprendizado significativo em suas aulas ajudam os alunos a transformar empatia em ação, desenvolvendo habilidades de pensamento crítico, planejamento, organização e resolução de problemas. Além disso, conclui a autora, crianças e jovens evoluem com projetos que os tiram de sua zona de conforto emocional e permitam que eles vejam o mundo de maneira diferente.

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Para ler mais sobre empatia, acesse outros textos sobre o tema publicados pelo Laboratório Inteligência de Vida.

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Comentários
Maria do Carmo Soares da Costa

Excelente os temas abordados

Maria do Carmo Soares da Costa

Excelente os conteúdos com excelentes reflexões

Terezinha machado de Souza

Conteúdo de excelente qualidade parabéns.

Kelly Cintra Dantas

Ansiosa por conhecer o material e ainda encantada com o ebento!