Cultura maker: ideias para perder o medo de errar e criar aulas mais dinâmicas

19 de janeiro de 2022

O ativista do Movimento Maker Edgar Andrade fala sobre a cultura mão-na-massa e como levar esse conceito para as escolas, mesmo quando faltam recursos. Confira!

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Edgar Andrade é atualmente um dos principais ativistas do Movimento Maker no Brasil e acredita que promover a inovação e estimular o desenvolvimento de novas soluções e modelos de negócios seja uma missão de vida. 

Sócio do Canal Maker e fundador do primeiro laboratório de fabricação digital do Nordeste, o Fab Lab Recife, ele já foi um dos jurados do Batalha Makers Brasil, reality show exibido no Discovery Channel em 2019, e tem buscado ao longo de sua carreira levar mostrar como a cultura mão-na-massa pode ajudar a educação.

Por conta de sua experiência, ele foi convidado para ministrar uma oficina exclusiva para parceiros do programa LIV durante o 3º Congresso LIV Virtual. Na ocasião, contou um pouco de sua prática e mostrou como os professores podem colocar a cultura maker em suas aulas sem precisar de recursos extremamente caros:

“A impressora 3D, a cortadora a laser, assim como a câmera do celular, são apenas ferramentas que podem nos ajudar a criar experiências mais dinâmicas, mais divertidas. A cultura maker envolve uma mudança de comportamento que nos conecta com um futuro mais sustentável, em que fazer é muito mais legal do que comprar. E, nesse fazer, acredito que seja possível dar sentido a muitos conteúdos que costumam nos ensinar”.

Após o evento, ele concedeu uma entrevista para nosso blog cheia de dicas muito para perder o medo de errar começar a planejar aulas mais criativas. Você pode conferir no texto abaixo!

1 – Para você, o que é uma aula mais dinâmica?

Edgar Andrade – “É quando a turma experimenta um conteúdo. Lembra daquela festa quando você junta amigas e amigos para conversar, para botar o papo em dia? Pronto! É um momento em que você pega aqueles conteúdos que precisa transmitir para a turma e joga na roda para debater com a galera, a partir de possíveis polêmicas em torno do tema. 

Ou quando você pega esse tema e identifica possíveis caminhos para transformar o assunto em um projeto que pode virar um vídeo, um podcast, uma animação, uma apresentação ou até um artefato físico. A aprendizagem é consequência. Talvez, um dos maiores problemas da escola esteja na tentativa de ensinar demais”.

2 – Como a cultura maker pode ajudar educadores a criar aulas mais dinâmicas?

Edgar Andrade – “É fundamental separar as ferramentas de um espaço maker da cultura que pode ser estimulada nesse lugar. A impressora 3D, a cortadora a laser, assim como a câmera do celular, são apenas ferramentas que podem nos ajudar a criar experiências mais dinâmicas, mais divertidas. 

A cultura maker envolve uma mudança de comportamento que nos conecta com um futuro mais sustentável, em que fazer é muito mais legal do que comprar. E nesse fazer, aprendemos sempre algo novo, é inevitável. Nesse fazer, acredito que seja possível dar sentido a muitos conteúdos que costumam nos ensinar. E se você fizer a seguinte pergunta novamente: para que vou usar esse conteúdo na vida? Aposto que quando era estudante essa pergunta aparecia no seu juízo de vez em quando. 

A cultura maker nos ajuda a dar sentido e responder essa pergunta em alguns momentos. Também ajuda a estimular as danadas das habilidades do futuro. Pode parecer meio clichê, e de fato, é, mas ter criatividade, espírito crítico, capacidade de argumentar, são algumas das capacidades estimuladas nas experiências maker que servirão, e talvez impactem diretamente, qualquer profissão que estudantes venham a escolher”.

 

Blog LIV: Como desenvolver habilidades socioemocionais em todas as aulas?

 

3 – Quais são as principais dificuldades de colocar a cultura maker em prática?

Edgar Andrade – “Não se muda cultura por decreto, por decisão da escola ou da prefeita, do prefeito, nem com muito dinheiro. Mudar cultura é um processo de médio e longo prazo. É preciso entender que o caminho para a transformação e recriação da escola depende do entendimento de que a mudança deve envolver todo mundo. 

No Fab Lab Recife, acreditamos no tripé de inovação maker, em que começamos engajando pessoas, tentando convencê-las de que é possível fazer as coisas de um jeito diferente. Depois vem o processo de empoderamento. Aposto que se perguntar para as professoras e professores o que fariam com uma impressora 3D, a maioria não saberia o que responder, simplesmente porque nunca mexeram em uma. Mas depois de algumas experiências cutucando a impressora, certamente vão ter algumas ideias. 

Depois que a comunidade escolar sente que a mudança de cultura não só é importante, desejável, como é possível, vem a autonomia, terceiro elemento do nosso tripé. É nesse momento em que nos tornamos desnecessários, cumprimos o nosso papel. Entendemos, depois de estudar um bocado, que não se muda a cultura de uma escola, empresa, comunidade, se a gente ficar fazendo tudo por ela. Atuamos como agitadoras e agitadores da mudança.

Quem muda de verdade e transforma a escola é cada professora, cada professor, cada cuidadora, cuidador, em um processo contínuo e autônomo. Essa é a nossa visão da escola do futuro e tentamos, todos os dias, ajudar a transformar esse futuro em presente”.

4 – Dá para fazer um projeto maker gastando pouco?

Edgar Andrade – “Sempre! Nas minhas palestras, costumo perguntar se o público se sente maker. Em uma plateia de 300 pessoas, três ou quatro levantam a mão. Mostro uma imagem de uma impressora 3D e pergunto quem já mexeu em uma máquina dessas. Normalmente as mesmas três ou quatro pessoas levantam a mão. Depois, mostro uma imagem com tesoura, estilete, fita crepe, papelão, e pergunto quem já usou essas ferramentas. Quase todo mundo levanta a mão. Minha conclusão é que todo mundo ali é maker. 

O lance é que esse espírito fazedor muitas vezes fica escondido dentro da gente e precisamos despertá-lo. A cultura do fazer nos ajuda nessa jornada, nesse processo. É óbvio que é muito legal ter as máquinas de um Fab Lab disponíveis para você brincar, criar projetos e aulas legais. Mas é importante perceber que nenhuma dessas tecnologias resolverá seus problemas magicamente, e que dá para começar com ferramentas simples, com papelão, tesoura e fita crepe. O importante é começar, e começar agora”.

5 – É possível engajar as famílias nos projetos maker? Que ideias você sugere?

Edgar Andrade – “Lembra da pergunta sobre o sentido das coisas e dos conteúdos que tentam nos ensinar? Primeiro devemos perguntar para as famílias se faz sentido pressionar estudantes a serem melhores que todas as outras pessoas, que tirar 10 em tudo é fundamental para se chegar em um lugar mágico chamado lá. 

Sem dúvida, aprender muitas coisas será útil, mas não será determinante. É preciso contar para essa galera que boa parte das profissões será ressignificada radicalmente nos próximos anos. Isso já está acontecendo e existem robôs substituindo médicos, advogados e engenheiros.”

“Mostrar que a cultura maker pode ser um instrumento poderoso para estimular as habilidades que conectarão estudantes com qualquer futuro é um caminho importante, depois do alerta sobre os perigos da pegada ‘nota 10 em tudo’. A gente precisa conversar mais com as famílias, trazer junto para viverem experiências maker nas escolas. Pedir para que reflitam sobre suas carreiras. Será que todo mundo realmente chegou lá seguindo essa fórmula tradicional? Mais importante: será que todo mundo é feliz quando chega lá?”.

 

No LIV, acreditamos que o desenvolvimento socioemocional pode ser estimulado por meio de ferramentas, dinâmicas, projetos e materiais pedagógicos, que criamos especialmente para o nosso programa. Confira ideias práticas para que você possa começar a levar esse cuidado emocional para a sua escola hoje!

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O LIV – Laboratório Inteligência de Vida é o programa de educação socioemocional presente em escolas de todo o Brasil, criando espaços de fala e escuta para ampliar a compreensão de si, do outro e do mundo.

 

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