Sentir é Aprender: confira tudo o que aconteceu no primeiro dia do maior congresso socioemocional da América Latina

Sentir é Aprender: confira tudo o que aconteceu no primeiro dia do maior congresso socioemocional da América Latina

31 de agosto de 2021

Além de conferir uma fala de abertura sensível e inspiradora da gerente pedagógica do LIV, Joana London, sobre a educação socioemocional, os participantes do primeiro dia do Congresso LIV puderam acompanhar, também, uma roda de conversa inédita com nomes como a jornalista Glória Maria, o MC e escritor Emicida e a escritora Conceição Evaristo. 

A programação do dia foi encerrada com uma entrevista internacional especial com o psicanalista francês Charles Melman, realizada pelo mestre em educação, diretor e idealizador do LIV, Caio Lo Bianco. 

Considerado o maior evento sobre educação socioemocional da América Latina, o Congresso LIV já foi realizado em três edições presenciais. Durante a pandemia, inovou com versões virtuais, completamente gratuitas e com propostas abertas ao público. Foram duas edições em 2020 com maisde 50 mil inscritos. Em todos os anos, a programação sempre foi marcada pela multiplicidade de vozes e pelo debate construtivo em torno de temas como educação, comportamento e desenvolvimento socioemocional, dentre outros.

A seguir, você pode conferir todos os detalhes do que rolou no primeiro dia!

Educação socioemocional na prática

Sentir é Aprender: confira tudo o que aconteceu no primeiro dia do maior congresso socioemocional da América Latina

A programação do primeiro dia do 3º Congresso LIV Virtual começou com uma palestra da psicóloga, pedagoga e gerente executiva pedagógica do programa LIV, Joana London, sobre como a educação socioemocional se conecta à comunidade escolar.

“Se a escola é composta por várias pessoas, com histórias completamente diferentes, sejam elas alunos, professores, funcionários e famílias, precisamos entender a responsabilidade desse espaço para cuidar das emoções, e por isso esse Congresso é importante. Se a gente já tinha a noção de que falar sobre as emoções era importante, agora, isso fica ainda mais evidente”, pontuou em sua fala. 

E para mostrar como a educação socioemocional pode ser incentivada na prática, Joana apresentou dois pilares essenciais que têm fundamentado o trabalho do programa LIV junto a centenas de escolas de diferentes partes do Brasil: a profundidade pedagógica e a conexão com a comunidade escolar.

Ela explicou que uma boa proposta deve ter cuidado na escolha dos teóricos que serão usados, na seleção e formação da equipe e nos direcionamentos das atividades e mecanismos para validar as propostas junto a todos os envolvidos. Além disso, destacou:“é preciso entender que todos os agentes que participam dessa comunidade devem ser cuidados emocionalmente”.

A pedagoga também teve a oportunidade de mostrar como o programa LIV tem atuado para criar materiais que atendem às necessidades socioemocionais de estudantes, educadores e famílias, de modo intencional e organizado, sempre oferecendo diferentes perspectivas.

Sentir é aprender, aprender é sentir

Um dos momentos mais esperados do primeiro dia do 3º Congresso LIV Virtual foi a roda de conversa mediada pela jornalista, apresentadora e mãe LIV Glória Maria. O encontro reuniu diferentes visões e experiências de vida sobre a conexão entre o sentir e o aprender e contou com as participações de: Conceição Evaristo, escritora, ficcionista e ensaísta; Lília Melo, educadora e vencedora do prêmio “Professores do Brasil”; Lilia Schwarcz, antropóloga, historiadora e professora; Lucas Veiga, mestre em psicologia clínica e consultor de saúde mental; e Emicida, MC e escritor.

Iniciando o debate em torno do tema, a escritora Conceição Evaristo ressaltou a necessidade de acolher os sentimentos no processo de aprendizagem:

“A criança nos ensina muito sobre o que é o aprender, porque ela não tem, como nós adultos, autocensura com seus sentimentos. Se ela está alegre, ela explicita, ela canta, dança. Se está triste, ela chora, grita e, quando vai crescendo, aprende a não revelar os sentimentos. A gente só aprende realmente aquilo que a gente sente. No mais, ao longo da vida, podem até ter te imposto várias lições, mas você só toma para si aquilo que te interessa, que fala aos seus sentimentos. Quando você pensa no ensino formal, quantas coisas a gente decorou que hoje não sabemos mais?”

Emicida, ao comentar a fala de Conceição, também destacou que compreender o papel dos sentimentos nas aprendizagens e relações é um processo duradouro, que não cabe apenas em ações pontuais:

“Aprender a lidar com as nossas emoções é algo que nos acompanha durante toda a travessia, toda a experiência humana. O que a maturidade nos traz é aprender a sermos cada vez menos controlados por nossas emoções. Cada vez que você amadurece um pouco, vai aprendendo a colocar cada sentimento em seu devido lugar, para que tenham a proporção necessária e para que você continue a ser você mesmo no final da trajetória”. 

A professora Lília Melo, que em seus projetos incentiva jovens da periferia de Belém (PA) a ter mais abertura para falar sobre seus sentimentos, complementou ressaltando o quanto esse incentivo faz a diferença, especialmente para aqueles em situação de vulnerabilidade:

“É um aprendizado constante, por isso é importante ter a consciência de que não estamos sozinhos. Importante compreender que dentro desse processo de construção do aprendizado, de compreender o que eu sinto e o que faço com esse conhecimento, a gente vai estar o tempo todo lidando com outras pessoas. Quando eu me disponho a ouvir, compreender e entender o outro, eu passo também a me compreender e me respeitar”, destacou.

A roda de conversa ainda contou com perguntas sobre educação socioemocional, o papel das escolas em promover mais empatia entre os membros de suas comunidades, escuta ativa, literatura afetiva, representatividade, o papel da arte como meio de expressão para os sentimentos e as relações de cada um com o tempo. 

Do que sofrem os adolescentes?

Sentir é aprender: Do que sofrem os adolescentes, entrevista com Charles Melman

Para encerrar o primeiro dia do 3º Congresso LIV Virtual, a programação contou com uma entrevista internacional. A conversa teve como tema central uma questão que aflige muitos pais e professores: do que sofrem os adolescentes?

O convidado a responder essa e outras perguntas foi o psicanalista francês Charles Melman, entrevistado por Caio Lo Bianco, mestre em educação, diretor e idealizador do LIV. 

Melman é considerado um dos principais seguidores do trabalho de Jacques Lacan e Sigmund Freud. É um dos fundadores da Associação Lacaniana Internacional e foi escolhido pessoalmente por Jacques Lacan para ser um dos dirigentes da École Freudienne de Paris, além de ser autor de diversas obras de referência para a psicanálise.

Durante a conversa, Melman apresentou algumas explicações da psicanálise para as mudanças comportamentais que afetam as crianças na transição para a adolescência e também para a posterior transição à vida adulta. “Ele [o adolescente] procura qual é seu lugar, e não acha lugar nenhum. Então, ele se sente sozinho, abandonado e tem a impressão de que ninguém o compreende”, explicou em sua fala.

A conversa também abordou as mudanças na relação do jovem com o conceito de autoridade, tanto no núcleo familiar como nos demais grupos sociais que ele frequenta. Nesse sentido, o psicanalista comentou que, durante a pandemia, “o adolescente perdeu a possibilidade de se sustentar a partir de um pertencimento a um grupo, ou seja, jovens que têm um mesmo problema que ele”.

Para assistir a entrevista completa com Melman, clique aqui!

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