12/02/2026
Tendências da educação em 2026: como a IA e as competências socioemocionais transformam a escola
A educação em 2026 continua se transformando para responder às demandas de um mundo em constante transformação. Não porque os conteúdos comuns, como português e matemática, deixaram de ser essenciais para a formação, mas porque, sozinhos, não dão conta de preparar integralmente os estudantes para um mundo atravessado por transformações tecnológicas, sociais e emocionais cada vez mais rápidas e complexas.
A escola se firma como um espaço de diálogo com as incertezas e as potências do nosso tempo. Entre as principais tendências da educação em 2026, três pilares ganham força: o fortalecimento das competências socioemocionais, a integração ética da inteligência artificial e o exercício da cidadania digital. Mais do que competências funcionais, esses eixos são caminhos para que o estudante compreenda seu lugar no mundo, aprenda a cultivar relações éticas e utilize a tecnologia como uma extensão de sua criatividade e responsabilidade coletiva. Educamos, assim, para que o saber se transforme em sabedoria no agir, no sentir e no conviver.
O que muda no papel da escola na educação em 2026?

Quando olhamos para as escolas, já é possível perceber uma transformação do papel da educação. A sala de aula deixa de ser apenas um espaço de transmissão de informações e passa a ser um território de escuta, diálogo, convivência e construção de sentido.
Segundo a especialista pedagógica do LIV Beatriz Gonçalves, esse movimento já está bem inserido no dia a dia das escolas:
“Rodando por algumas escolas no Brasil e conversando com diversos educadores, temos percebido que a demanda pelas aprendizagens de competências socioemocionais não tem vindo apenas pelas famílias, mas principalmente pelos alunos, que vêm sentindo a necessidade de saber ocupar um mundo que se transforma o tempo inteiro.”
Os estudantes buscam caminhos para compreender a própria identidade, interpretar criticamente os cenários que os cercam e imaginar soluções para desafios que ainda estamos descobrindo. Esse anseio convida as escolas a um processo contínuo de renovação em seus currículos e práticas pedagógicas, indo além da simples atualização de conteúdos. Trata-se de um acolhimento de propostas que dialogam com as urgências contemporâneas – como o desenvolvimento socioemocional e a fluência em novas linguagens tecnológicas -, assegurando que a formação docente e o ambiente escolar acompanhem, com ética e sensibilidade, o ritmo das transformações do mundo.
Por que as competências socioemocionais deixam de ser um diferencial
Durante muito tempo, falar sobre habilidades socioemocionais parecia algo complementar, quase um “extra” no currículo escolar. Em 2026, essa visão já não se sustenta. Autoconhecimento, empatia, comunicação, escuta e autorregulação emocional, por exemplo, passam a ser compreendidos como pilares da formação integral.
Isso acontece porque crianças e adolescentes crescem em um mundo hiperconectado, no qual as fronteiras entre o individual, o coletivo e o digital se misturam o tempo todo. Nesse contexto, compreender quem se é, reconhecer emoções, lidar com frustrações e conviver com o diferente não é simples — e tampouco intuitivo.
Beatriz Gonçalves explica:
“A escola, em sua função social e política, é um dos poucos espaços capazes de reunir esses mundos diversos — reconhecendo as individualidades ao mesmo tempo em que promove a construção do comum.”
Olhar para os estudantes a partir de uma perspectiva integral — física, mental, emocional e social — é essencial para que eles possam se posicionar no mundo de forma crítica e responsável. As competências socioemocionais deixam de servir apenas ao desenvolvimento individual e passam a ser fundamentais para a vida em sociedade, especialmente em um cenário marcado por excesso de informação e telas.
Inteligência artificial na educação: aliada, não substituta
Outra forte tendência da educação em 2026 é a presença cada vez mais intencional da inteligência artificial na escola. Mas, ao contrário do que muita gente pensa, a IA não surge para substituir professores — e sim para ampliar possibilidades pedagógicas.
Segundo Beatriz Gonçalves:
“A IA não traz consigo a possibilidade de substituir a principal função do professor: a de gerar, através do conhecimento, a vontade de agir para transformar o mundo.”
A tecnologia pode apoiar o planejamento pedagógico, ajudar na personalização da aprendizagem em turmas diversas, acelerar processos de correção e oferecer feedbacks mais rápidos. Ao assumir tarefas operacionais, a IA libera tempo e energia para aquilo que é insubstituível: o vínculo, a escuta, a mediação e a construção de experiências de aprendizagem significativas.
No entanto, como toda ferramenta, a inteligência artificial exige cuidado. Ela carrega valores, vieses e modelos de mundo que precisam ser compreendidos. Por isso, o uso pedagógico da IA precisa vir acompanhado de letramento, reflexão ética e intencionalidade educativa — tanto para professores quanto para estudantes.
Letramento digital e cidadania digital desde a infância
Com o avanço das tecnologias, cresce a urgência do letramento digital e do pensamento crítico desde a infância. Não se trata apenas de saber usar ferramentas, mas de compreender como elas funcionam, quais valores carregam e quais impactos produzem.
“Falar de letramento digital é criar estratégias para discernir onde entram as habilidades humanas e onde entra o trabalho da ferramenta. As tecnologias ampliam nossas possibilidades, mas a decisão final é sempre humana”, afirma Beatriz.
A cidadania digital surge, assim, como uma dimensão essencial da educação contemporânea: formar sujeitos capazes de agir com ética, responsabilidade, consciência emocional e senso crítico no ambiente online.
Educar para a cidadania digital é, também, preparar crianças e adolescentes para entender que, mesmo em um mundo automatizado, a decisão final é sempre humana.
Dia Lab: quando a inteligência artificial potencializa a inteligência humana
É nesse contexto que nasce o Dia Lab. Mais do que um laboratório para ensinar ferramentas, um espaço de diálogo entre tecnologia e humanidade. Um currículo em movimento que convida estudantes e educadores a compreender, questionar e criar com a inteligência artificial — sempre a partir da ética, da criatividade e da responsabilidade.
Como resume Beatriz Gonçalves:
“Essa é a missão do Dia Lab: preparar jovens e docentes para compreender como a Inteligência Artificial funciona, utilizá-la para aprender e criar com propósito e agir com consciência em uma sociedade cada vez mais conectada, automatizada e imprevisível.”
No Dia Lab, a IA não ocupa o centro sozinha. Ela caminha ao lado do desenvolvimento das competências socioemocionais, do pensamento crítico e da autoria, reforçando a ideia de que a tecnologia pode reduzir erros e acelerar processos — mas apenas os seres humanos são capazes de imaginar, interpretar e criar novos caminhos.
O futuro da educação é feito de diálogos entre inteligências
As tendências da educação em 2026 mostram um futuro construído no diálogo entre diferentes inteligências: individuais, coletivas e artificiais.
O desafio não está em usar mais ou menos tecnologia, mas em usá-la a serviço de objetivos claros: desenvolver empatia, pensamento crítico, criatividade, responsabilidade e compromisso com o coletivo. Assim, a educação continua cumprindo o seu papel mais potente: formar pessoas que se permitem sentir, pensar e transformar o mundo.
O LIV – Laboratório Inteligência de Vida é o programa de educação socioemocional presente em escolas de todo o Brasil, criando espaços de fala e escuta para ampliar a compreensão de si, do outro e do mundo.