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Toy Story 5: o que o filme ensina sobre infância, educação e o brincar

O novo filme da Pixar convida famílias e educadores a refletirem sobre o papel do brincar, das telas e da imaginação na infância contemporânea.

O novo filme da saga Toy Story apresenta um novo integrante do quarto de Bonnie: o tablet. E essa escolha não é por acaso. Se a história continua sendo sobre a infância, ela também acompanha as transformações dessa fase. Afinal, as crianças de hoje vivem em um mundo diferente daquele retratado nos primeiros filmes da franquia.

Logo nas primeiras cenas, essa mudança fica evidente. As crianças aparecem em diferentes ambientes da casa, mas quase sempre diante de uma tela. Elas estão conectadas, entretidas, mas pouco interagem entre si ou com os próprios brinquedos.

Ao longo da história, Jessie, Woody e Buzz passam a se perguntar: qual é o lugar dos brinquedos em um mundo onde a tecnologia ocupa cada vez mais espaço na vida das crianças? 

Na verdade, Toy Story 5 faz um convite muito mais interessante: refletir sobre como preservar a infância como um espaço de imaginação, criatividade, vínculos e pertencimento em um mundo cada vez mais mediado pela tecnologia.

Porque, se a infância mudou, o papel dos adultos também precisa mudar. Mais do que proibir ou liberar o uso das telas, precisamos aprender a mediar essa relação, de acordo com a realidade e a faixa etária de cada criança. Afinal, a tecnologia pode fazer parte da infância, mas nenhuma inovação substitui aquilo que acontece quando uma criança brinca.

Ao longo deste texto, vamos refletir sobre algumas das principais mensagens presentes na história e sobre o que elas podem nos ensinar a respeito da infância de hoje.

Por que o brincar segue sendo essencial? 

Em Toy Story 5, os brinquedos se veem diante de um novo desafio: disputar espaço com a tecnologia na vida de Bonnie.

 O filme lembra que a infância é, antes de tudo, um tempo de brincar. É o momento de transformar uma caixa de sapato em um foguete, chamar os amigos para inventar histórias e descobrir o mundo por meio da brincadeira.

Afinal, brincar vai muito além da diversão. É uma experiência que estimula a criatividade, amplia a imaginação, fortalece a autonomia e cria oportunidades para que as crianças construam vínculos e conexões verdadeiras.

Por isso, os brinquedos seguem tendo um lugar importante na infância. Não apenas pelos objetos em si, mas por tudo o que eles convidam as crianças a construir: histórias, repertório emocional, diferentes possibilidades de ser e de se relacionar com o mundo.

Essa é uma mudança importante da infância contemporânea. Como explica a consultora pedagógica do LIV, Evellyn Oliveira, a fantasia e a criatividade, que durante gerações encontraram espaço, vêm dividindo ele com experiências digitais cada vez mais prontas:

“A fantasia, a criatividade e a inventividade, que durante muitas gerações encontraram na brincadeira um espaço privilegiado de expressão, têm perdido lugar para experiências digitais de universos prontos, altamente estimulantes e desenhados para capturar a atenção. Com isso, muitas vezes, os espaços de criação cedem lugar aos espaços de entretenimento.”

Como o ato de brincar incentiva a criação de vínculos? 

Toy Story 5 nos lembra que brincar nunca foi apenas sobre brinquedos. Brincar é uma forma de construir relações.

É durante uma brincadeira que as crianças aprendem a negociar regras, resolver conflitos, imaginar soluções, esperar a vez, lidar com frustrações e criar histórias em conjunto. São essas experiências do cotidiano que ajudam a desenvolver habilidades fundamentais para a vida em sociedade.

As tecnologias também podem aproximar pessoas. Elas permitem manter contato com quem está longe, compartilhar momentos e descobrir novos interesses. O desafio é lembrar que essa experiência on-line não necessariamente significa a criação de conexões verdadeiras, principalmente no que diz respeito à infância.

Como destaca Evellyn, existe uma diferença importante entre compartilhar e construir um vínculo.

“Sabemos que hoje temos muitas ferramentas que podem facilitar encontros, permitir conversas e manter vínculos à distância. Mas a conexão humana sempre implicará a troca genuína, a vulnerabilidade, a abertura para estar diante do outro. E isso nós aprendemos juntos, uns com os outros, no vínculo. Máquina alguma pode ensinar.”

No filme, essa diferença aparece de forma bastante simbólica: as crianças estão reunidas, mas cada uma está voltada para a própria tela. Estão fisicamente próximas, mas emocionalmente distantes.

Essa talvez seja uma das principais reflexões que Toy Story 5 propõe: a tecnologia pode aproximar pessoas, mas ela não substitui as experiências que constroem relações.

O papel dos adultos em uma infância cada vez mais digital

Se a infância mudou, o papel das famílias e das escolas também precisa acompanhar essa transformação.

Hoje, uma das dúvidas mais frequentes entre responsáveis é: “Se meu filho for o único sem celular ou tablet, ele não ficará de fora das relações?”.

Essa preocupação é legítima. Afinal, muitas interações entre crianças e adolescentes também acontecem no ambiente digital. O desafio, porém, está na construção de uma mediação consciente.

Isso significa estabelecer combinados, acompanhar o que as crianças acessam, definir limites ou proibições compatíveis com cada fase do desenvolvimento e, principalmente, oferecer outras oportunidades de convivência, brincadeira e pertencimento.

Também significa compreender que algumas responsabilidades continuam sendo dos adultos. Esperar que uma criança administre sozinha o tempo de tela ou escolha, sem orientação, os conteúdos que consome é atribuir a ela uma autonomia para a qual ainda não está preparada.

Como lembra Evellyn Oliveira, preservar a infância é também preservar o direito de brincar, imaginar e viver experiências compatíveis com essa etapa da vida.

Muito além das telas

No fim das contas, Toy Story 5 não faz uma crítica à tecnologia em si. O filme nos lembra que ela pode ser uma ferramenta poderosa para aprender, criar e conectar pessoas. Mas também nos convida a perguntar: que espaço estamos criando para a brincadeira, para a imaginação e para os encontros que acontecem longe das telas?

A infância precisa ser protegida da ideia de que a tecnologia pode substituir tudo o que faz dessa fase um tempo único. Porque as memórias mais importantes costumam surgir de uma brincadeira inventada na sala de casa, de uma história criada entre amigos, de uma conversa, de uma risada compartilhada ou de um brinquedo que ganhou vida graças à imaginação.

Vamos continuar essa conversa? No novo #LIVResponde, conversamos sobre como Toy Story 5 nos convida a refletir sobre tecnologia, brincadeira e a importância dos vínculos. Confira!

 



O LIV – Laboratório Inteligência de Vida é o programa de educação socioemocional presente em escolas de todo o Brasil, criando espaços de fala e escuta para ampliar a compreensão de si, do outro e do mundo.