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Copa do Mundo: o que crianças e adolescentes podem aprender para além do futebol?

Muito além dos jogos, a Copa do Mundo oferece oportunidades para desenvolver competências socioemocionais, ampliar repertórios culturais e estimular o diálogo entre crianças, adolescentes, famílias e escolas.

Quando a Copa do Mundo começa, acontece algo curioso: a distância, que normalmente separa as pessoas, de repente, desaparece. Crianças, adolescentes e adultos passam a falar a mesma língua e comentar os mesmos assuntos, conversam sobre os jogos, discutem escalações, compartilham expectativas e vivem emoções parecidas.

Afinal, esse momento não acontece apenas dentro do campo. Ele ecoa nas conversas entre amigos, nos corredores das escolas, nas comemorações em família, nas bandeiras penduradas e na empolgação que antecede cada jogo.

Talvez, por isso, a Copa seja uma oportunidade tão rica para famílias e para as escolas. Muito além da competição, ela abre espaço para conversas sobre convivência, pertencimento, cultura e desenvolvimento dos alunos. Nesse artigo, vamos conversar sobre as possibilidades que esse evento traz de diálogo e como os educadores podem usá-lo como repertório para a aprendizagem. 

As habilidades socioemocionais também entram em campo

A maioria de nós não sabe o que é competir uma Copa do Mundo, mas todo o mundo sabe ou tem uma ideia do quanto é difícil chegar até lá. São anos de treinamento, de dedicação e de esforço, mas essa combinação sozinha não explica como os jogadores lidam com a cobrança pela vitória e com a frustração das derrotas. E tudo isso continua se repetindo,  jogo após jogo. 

Como lidar com a pressão de um estádio lotado? Como reagir depois de um erro? Como trabalhar em equipe quando o resultado depende de muitas pessoas? Dentro de campo, os jogadores precisam, além de saber tomar decisões rápidas, entender o que estão sentindo. Isso é especialmente importante nos momentos de emoções mais intensas, quando essa percepção pode ser o que os ajuda a persistir diante das dificuldades. É justamente assistindo aos jogos que podemos perceber algo muito importante: mais do que o preparo físico e  técnico, os atletas precisam desenvolver outras habilidades para seguirem em uma competição tão desafiadora.

Por isso, existe um conjunto de habilidades socioemocionais que também entram em campo. A empatia, a comunicação, a perseverança, a autorregulação e a capacidade de colaboração para se trabalhar bem em equipe são algumas delas. 

Pensando nisso, a Copa pode ser um convite para os alunos olharem além da competição e aprenderem de uma forma mais engajadora. Afinal, ganhar e perder fazem parte da vida, mas a forma como lidamos com essas experiências também ensina muito.

Esse olhar pode começar com perguntas simples: 

  • Como fazer a autorregulação quando algo não sai como planejamos? 
  • O que podemos aprender com os erros?
  • Como podemos apoiar quem está ao nosso lado?
  • O que pode facilitar o trabalho em equipe?

Em um mundo cada vez mais individual, a Copa nos lembra a importância do pertencimento 

Vivemos em uma época marcada pela hiperconexão, pelas relações mediadas por telas e por uma rotina cada vez mais acelerada. Ao mesmo tempo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) tem chamado atenção para o crescimento da solidão como um desafio global. Ou seja, nunca estivemos tão conectados e, ao mesmo tempo, tão vulneráveis à sensação de solidão. Talvez seja por isso que eventos como esse nos lembram algo tão especial: algumas coisas ganham mais sentido porque são compartilhadas e vividas em conjunto. 

Durante a Copa, desconhecidos se encontram para torcer juntos. Famílias se reúnem diante da tela, colegas de trabalho compartilham expectativas no intervalo do expediente, enquanto as escolas organizam atividades temáticas para entrar no clima.  Por alguns instantes, existe um sentimento coletivo que atravessa diferentes gerações. 

Em um tempo em que somos frequentemente convidados a viver tantas experiências de forma individual, a Copa nos recorda da importância dos vínculos, da convivência e do pertencimento, fatores que fazem parte da necessidade humana e dos quais crianças e adolescentes, muitas vezes, não são nutridos. 

A Copa nos traz de volta essa sensação de pertencer a algo maior, de estar junto. Por isso, as escolas podem aproveitar esse momento para criar espaços em que as crianças compartilhem a experiência de viver esse evento e se reconheçam umas nas outras. 

No fim, as memórias que permanecem, nem sempre, são  as do placar, são as dos encontros, dos sentimentos compartilhados, dos abraços trocados, das conversas depois dos jogos e da sensação de fazer parte de algo maior. 

Uma oportunidade para conhecer nossa cultura 

Quando acompanhamos a trajetória dos atletas, por exemplo, conhecemos histórias de vida, diferentes regiões do país, sotaques, desafios e realidades que ajudam a contar quem eles são e um pouco do que somos também.

Para escolas e famílias, esse também pode ser um momento de ampliar repertórios e de explorar a riqueza cultural do Brasil. Quem são as pessoas que admiramos? Quais histórias costumamos valorizar? O que podemos aprender com diferentes trajetórias?

Mais do que acompanhar uma competição esportiva, a Copa pode ser uma oportunidade para fortalecer o sentimento de identidade e para reconhecer a diversidade que compõe o nosso país.

No material do LIV do Ensino Médio, por exemplo, existe um espaço dedicado a apresentar personalidades brasileiras inspiradoras, a seção  “Só podia ser do Brasil”. A proposta é justamente ajudar adolescentes a construírem pertencimento a partir de histórias, de sonhos e de trajetórias com as quais podem se identificar.

Muito além do apito final

A Copa do Mundo tem um final, mas as conversas que ela provoca podem gerar aprendizados que permanecem muito depois dos 45 minutos do segundo tempo.

Você já reparou que, durante os jogos, tem muito mais em campo do que técnica e talento? Tem perseverança. Ela aparece toda vez que um jogador erra um passe e, mesmo assim, continua jogando. Quando o time perde uma chance clara de gol e segue insistindo até o apito final.

Essa habilidade, entretanto, não é só dos atletas de alta performance, já que ela também faz parte do nosso no dia a dia: quando insistimos em aprender algo novo, retomamos um projeto depois de uma dificuldade ou buscamos um jeito diferente de lidar com um conflito.

Pensando nisso, preparamos um conteúdo especial para mergulhar nesse assunto com você e entender como a perseverança pode ser desenvolvida dentro e fora dos campos.

Confira essa conversa completa aqui:



O LIV – Laboratório Inteligência de Vida é o programa de educação socioemocional presente em escolas de todo o Brasil, criando espaços de fala e escuta para ampliar a compreensão de si, do outro e do mundo.