#SentimentosAproximam: Congresso LIV Virtual – dia 1

30 de maio de 2020

Pela primeira vez, o LIV (Laboratório Inteligência de Vida) realizou seu congresso anual em versão 100% digital, com transmissão ao vivo pela internet. A experiência, nova para todos, foi emocionante e contou com a presença de mais de 40 mil espectadores que participaram dos ciclos de debate através de mensagens e compartilhamentos nas redes sociais.

No primeiro dia do Congresso LIV Virtual, o público assistiu falas sobre habilidades socioemocionais, saúde mental e educação de convidados especialistas e personalidades públicas como Taís Araújo, Lourdes Atié, Joana London, Duda Falcão, Alexandre Coimbra, Amyr Klink, Caio Lo Bianco, Daniel Becker, Domenico De Mais e Vik Muniz, além de Flávia Oliveira, responsável pela condução do evento (confira abaixo os detalhes de cada apresentação).

Para o LIV, realizar um encontro virtual dessa dimensão é uma oportunidade de conversar abertamente sobre questões que bateram (e ainda estão batendo) à porta de todos em razão da pandemia do novo coronavírus. “Aqui a gente fala com muito afeto, muita colaboração. É parte do que somos. Preparamos tudo com muito carinho e com pessoas que respeitamos. Acreditamos na troca”, destacou Fernanda Lemos, gerente executiva do LIV. 

Nesse sentido, o Congresso LIV Virtual ofereceu um espaço aberto a todos interessados em discutir respeito, empatia, generosidade e falar abertamente sobre os sentimentos despertados pelo cenário atual, seja no âmbito da educação, da vida familiar ou na sociedade de modo geral.

Confira a seguir os principais momentos do primeiro dia desse evento:

 

 

  • Saúde mental: suas emoções não entram em quarentena

 

A primeira mesa de debate do Congresso LIV Virtual contou com a presença da atriz, apresentadora, formada em jornalismo e mãe LIV, Taís Araújo; o médico pediatra do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da UFRJ e pioneiro na pediatria integral no Brasil, Daniel Becker; e do psicólogo do programa “Encontro com a Fátima Bernardes” da Rede Globo e terapeuta de famílias e grupos, Alexandre Coimbra.

Mediados pela psicóloga e coordenadora pedagógica do LIV, Roberta Desnos, os três convidados contaram sobre como a pandemia afetou suas rotinas e como eles enxergam o alcance dessas mudanças nas relações entre as pessoas e na sociedade de modo geral. “É uma temática extremamente necessária. Todos nós estamos sendo impactados pela questão da saúde mental nesse momento. Nossos sentimentos não saem em quarentena e não podemos pausá-los”, afirmou a mediadora.

Segundo Alexandre Coimbra, as reações humanas diante de uma crise colocam as pessoas em uma situação de incredulidade. “A crise deixa em nosso cérebro uma dificuldade de pensar, o pensamento fica confuso, com dificuldade de focar”, alertou o psicólogo. Nesse cenário, três sentimentos se afloram e prevalecem: medo, tristeza e raiva. “É um comportamento normal das nossas emoções diante das crises. A gente pode ficar impulsivo, reativo ou até sem reação”.

Para o psicólogo, um dos caminhos de sobreviver emocionalmente à pandemia é “assumir que algo mudou, que o impacto é sério, que perdemos o controle e que nossas ilusões foram esfareladas”. Nesse sentido, diz, “vamos precisar construir um dia de cada vez, buscando ajuda sempre que estivermos sucumbindo à crise”, apontou.

Falando sobre o ponto de vista da pediatria, Daniel Becker deu continuidade à fala de Alexandre observando aspectos como o luto causado pela perda da rotina, da proximidade com amigos, do convívio e do lazer. “Para os adultos, isso transborda em emoções que a gente conhece ou na vontade de conversar com alguém, por exemplo. Para as crianças, isso muitas vezes se expressa em comportamentos negativos, pois elas não sabem necessariamente falar sobre isso. Podem ser agressivas, agitadas, hiperativas, pegajosas… Como adultos, temos que acolher os sentimentos dessas crianças. As emoções são sempre válidas, a gente não controla ou manda embora. Acolher é fundamental”, disso.

Para Taís Araújo, que destacou em sua fala a vivência materna e familiar, é o aprendizado socioemocional que mais tem contribuído para superar o cenário atual. “Estamos tentando encontrar equilíbrio entre as relações em um momento difícil e de excesso: de convivência, de saudade, da falta de ir para o trabalho… São muitos excessos e muita falta. São tantas dualidades que pensamos: ‘o sentimento não entra em quarentena’. A gente está tendo que lidar e muitas vezes não tem esse equilíbrio, e exacerba com as criança, com o companheiro, com a gente mesmo […] Ou eu respiro e tento deixar o mais leve o possível ou vai ficar insustentável”. 

A atriz ponderou ainda que devemos ter consciência de que nem todos têm a possibilidade de falar abertamente sobre os sentimentos despertados pelo isolamento. “Para pessoas que vivem em casas muito pequenas, que não têm como fazer isolamento social, a situação é muito mais grave e muito mais séria. Saber lidar com os sentimentos, infelizmente, a gente trata como privilégio”. Nesse sentido, Alexandre Coimbra também ressaltou: “Só iremos superar um trauma coletivo de forma coletiva”. 

Ao longo da conversa, os quatro participantes falaram ainda sobre os caminhos encontrados para encontrar a crise e os riscos de não falar sobre o tema abertamente. 

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  • Como integrar o socioemocional entre educadores, alunos e famílias

 

Dando continuidade à programação ao vivo, o Congresso LIV Virtual exibiu mais uma mesa-redonda. Dessa vez, o tema do encontro foi a integração entre os três principais envolvidos na educação – ou seja, educadores, alunos e famílias – e contou com a presença de Lourdes Atié, professora e socióloga com mais de trinta anos de experiência como produtora de conteúdos e com formação de professores; Amyr Klink, navegador, explorador e escritor brasileiro; e Caio Lo Bianco, idealizador e diretor do LIV e mestrando em educação pela Universidade de Columbia (EUA).

A mesa contou com a condução de Joana London, psicóloga, professora e gerente pedagógica do LIV, que no início de sua fala destacou a importância das habilidades socioemocionais. “Essas habilidades vão nos ajudar a passar por esse momento de maneira mais humana. Na minha concepção, a gente só vai perder esse ano se a gente não aprender nada com o que estamos vivendo. […] Educação é experiência, é vivência”.

Joana também falou sobre a necessidade de escuta atenta do próximo, apontando para a busca da empatia. “Estamos no meio de um processo profundo de aprendizagem, muito diferente do convencional, que tem convocado a gente a sair dessa posição individualista e olhar o outro”. 

Caio Lo Bianco foi o primeiro a se apresentar, falando sobre o acolhimento que será necessário durante a volta às aulas pós pandemia. “É importante pensar que o alguém acolhido na escola não é só o aluno. São os professores, funcionários e respectivas famílias também. Por isso, é preciso olhar para a comunidade como um todo, sabendo que esse alguém que a gente está acolhendo é único. São pessoas que passaram por questões completamente diversas na quarentena”. E completou: “No limite, a pandemia afeta a todos, e a vulnerabilidade é possivelmente o que nos conecta, o que tem de semelhante em nós”.

Dando continuidade à conversa, Lourdes Atié falou sobre a esperança de um cenário melhor e a oportunidade de, a partir de uma crise, mudar a maneira como a educação é tratada. Nesse sentido, ela defendeu um maior cuidado para com os educadores, oferecendo a eles bases emocionais para enfrentar o momento e apoiar seus alunos. “Se eu não me cuido, não consigo cuidar dos outros, nem dos meus alunos. Mais importante que o resultado é descobrir a essência do encontro”, e destacou: “Os professores têm o direito de pedir ajuda quando não estiverem mais aguentando. Agora é hora de conexão. A gente não tem resposta, mas pode servir como andaime, puxando o outro”.

Para completar o debate, o navegador Amyr Klink elucidou como as habilidades socioemocionais impactaram sua vida pessoal e afetaram sua relação com as pessoas a sua volta. “Não sou educador, mas descobri como o exercício de educar é transformador. Um gesto que a tecnologia ou inteligência artificial nunca vai produzir, mas as habilidades socioemocionais sim, é a generosidade”. 

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  • O ócio criativo de Domenico de Masi

 

Como todos os anos, o LIV busca trazer ao seu congresso uma voz internacional. O objetivo principal dessa ação é expandir o pensamento e oferecer visões distintas sobre temas como educação, inteligência emocional e comportamento, ampliando debates necessários e urgentes. 

Este ano, o convidado internacional foi o sociólogo italiano Domenico De Masi, que nos presenteou com seu pensamento sobre ócio criativo e educação integral, em uma entrevista conduzida pela jornalista Flávia Oliveira.

Na conversa, que você pode assistir com legendas em português, De Masi apresenta seus conceitos sobre criatividade e explica como o “ócio criativo”, termo difundido por ele próprio, está longe de ser negativo, sendo na verdade um fator que estimula a criatividade pessoal. De acordo com sua teoria, o ócio criativo surge da necessidade de avançar para um futuro pós-industrial no qual a sociedade possa preservar a união entre estudo e lazer e sair das amarras do trabalho como se configurou até o momento. 

Cidadão honorário do Rio de Janeiro e um dos principais pensadores do futuro do trabalho, De Masi falou ainda sobre a importância do desenvolvimento integral à luz do confinamento social e da transposição da educação do espaço da escola para o espaço doméstico. “A escola integral deve ensinar a emotividade e a racionalidade, e deve educar para as necessidades qualitativas: a necessidade de introspecção, da meditação, da reflexão, do lazer, da amizade, do amor, da beleza e do convívio”.

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  • Um bate-papo sobre criatividade

 

Criatividade, para além da capacidade de criar algo, é uma habilidade socioemocional ligada a algo que, contraditoriamente, é simples e complexo: o ato de criar. E para fechar a programação do primeiro dia de Congresso LIV Virtual, foi transmitido um bate-papo sobre esse tema entre o artista plástico brasileiro, fotógrafo, pintor e pai LIV, Vik Muniz, e a administradora de empresas, Duda Falcão, que também é publicitária, sócia fundadora do Gera Venture, um fundo focado 100% em educação, e CEO da Eleva Educação.

Na conversa, Vik Muniz falou sobre seu próprio processo criativo, sobre a importância das habilidades socioemocionais e sobre os diferentes fatores externos que impactam a criatividade nos seres humanos. “A gente está muito disperso na nossa percepção do mundo, dos mundos que a gente cria no dia a dia. E a possibilidade de se deslocar para qualquer lugar, saber qualquer coisa, o conhecimento todo na palma da sua mão, ele pulveriza um pouco a ideia de sensibilidade que é essencial para todo processo criativo”.

Outro ponto abordado na conversa foi o impacto do ato de brincar para o desenvolvimento da criatividade, especialmente para as crianças. “O espaço para brincar é necessário para você lidar com conceitos, coisas e se relacionar com a vida de uma forma um pouco mais lúdica”, destacou o artista.

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Congresso LIV: um encontro para falar de sentimentos

O Congresso LIV é um evento anual realizado desde 2017 pelo Laboratório Inteligência de Vida com o objetivo de ampliar o debate sobre educação integral, abrindo a possibilidade de debater temas como habilidades socioemocionais e inteligência emocional com diferentes profissionais ligados à educação, ao desenvolvimento infantil e à saúde mental.

Desde sua primeira edição, o Congresso LIV destaca-se por ser um evento internacional, trazendo ao Brasil grandes nomes como Edgar Morin, Howard Gardner, Domenico De Masi e Paul Tough, além, é claro, de trazer grandes profissionais brasileiros das áreas de educação, psicologia, artes e saúde, configurando-se assim, como um espaço de troca anual de saberes. 

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