Incentivando a educação socioemocional no ensino híbrido

Incentivando a educação socioemocional no ensino híbrido

15 de janeiro de 2021

O que o ensino híbrido traz de novidades para alunos, educadores e famílias? No artigo a seguir, você confere uma análise e uma entrevista em áudio com Ana Carolina de Medeiros, do LIV, sobre esse tema tão importante para o ano letivo de 2021.

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O ano de 2021 ainda deverá ser bastante marcado pela pandemia do novo coronavírus, e uma das principais marcas desse período será o modelo de aulas adotado pelas escolas no país. A depender das regras estipuladas em cada estado, muitas instituições deverão manter o ensino remoto ou adotar o modelo de ensino híbrido, no qual parte das atividades serão realizadas presencialmente e outra parte no ambiente on-line. 

Além de reforçar aspectos que já estiveram presentes nas escolas em 2020, esse modelo também traz novidades, especialmente no que diz respeito ao desenvolvimento socioemocional dos alunos. E quem fala um pouco mais sobre essas questões e o que elas representam para escolas e famílias é Ana Carolina de Medeiros, professora e coordenadora pedagógica do LIV.

“A primeira grande dificuldade para os professores é como se conectar com o aluno diante desse cenário híbrido, o fato de que talvez, presencialmente, não encontre todos os alunos e no ambiente on-line tenha essa dificuldade da câmera desligada, que a gente ouviu muito falar. Muitos alunos conversam apenas pelo chat, nem todos aparecem em todas as aulas, então temos alguns desafios de como o professor pode se conectar com esse aluno. A gente sabe que o aspecto da conexão é importante para qualquer disciplina, mas é crucial para aulas em que o socioemocional está sendo posto em questão”, explica. 

A interação entre escola e família também é um aspecto que merece atenção nesse momento. “O ensino híbrido pode ser uma possibilidade de destacar o quanto a casa pode ser um ambiente de aprendizagem, não só de aprendizagem formal vinculado à escola, mas também no sentido mais amplo”.

Em entrevista por áudio ao nosso blog, ela aprofundou esses pontos e ofereceu também recomendações para o desenvolvimento socioemocional de crianças e adolescentes em tempos de distanciamento social. 

Você pode escutar a conversa completa apertando o play no arquivo de áudio a seguir ou ler mais sobre o assunto na continuação do texto abaixo:

Como incentivar a educação socioemocional no ensino híbrido

No ensino híbrido e no ensino totalmente a distância, a conexão entre educadores e alunos é colocada sob uma nova perspectiva, podendo ter como aliada o uso de ferramentas on-line. Nesse ponto de vista, Ana Carolina destaca ferramentas que favorecem a exposição de ideias, o aspecto lúdico e que contribuem para questões e debates relacionados aos sentimentos e às habilidades socioemocionais

“Por mais que o cenário híbrido possa se mostrar como uma dificuldade para o desenvolvimento de práticas socioemocionais, também tem um aspecto positivo, uma possibilidade de ter novos recursos que vieram para ficar e podem agregar cada vez mais na aula”, destaca.

A coordenadora pedagógica do LIV também faz uma ponderação para as escolas observarem suas propostas ao longo do ano e identificarem em quais momentos darão prioridade para um determinado objetivo. 

“Por exemplo, momentos presenciais podem ser bastante especiais para reforçar aspectos socioemocionais que a escola desenvolve, como a conexão entre os alunos, conexão entre professor e aluno, a possibilidade de desenvolver atividades colaborativas. A escola, cada vez mais, vai poder perceber quais serão os momentos mais interessantes para cada tipo de atividade, agora que esse cenário on-line e os estudos em casa se tornaram uma realidade”, completa.

Para os educadores que desejam se aprofundar mais nesse tema, recomendamos o Guia de Acolhimento LIV. Desenvolvido pela equipe pedagógica do Laboratório Inteligência de Vida, ele oferece uma série de sugestões de atividades que as escolas podem realizar no início e ao longo do ano letivo para favorecer a conversa e a expressão dos sentimentos, das emoções e experiências de cada aluno. 

CLIQUE AQUI PARA BAIXAR O GUIA DE ACOLHIMENTO LIV

Educação socioemocional em casa: algumas ideias para famílias

No caso das famílias, um dos grandes desafios ao longo de 2020 foi como promover o desenvolvimento da inteligência emocional e das habilidades socioemocionais considerando o contexto de restrição social. Segundo a coordenadora pedagógica do LIV, isso também revelou nuances antes desconhecidas:

“O desenvolvimento de habilidades como criatividade, colaboração, pensamento crítico, muitas vezes é promovido na escola ou na interação com demais pessoas […]. A mesma questão em relação à inteligência emocional. Claro que os pais exercem um papel muito potente no desenvolvimento do autoconhecimento, da autorregulação e empatia da criança, mas essas questões são bastante desenvolvidas no ambiente das escolas”. 

Por isso, explica, um ponto interessante é inserir atividades que os membros das famílias possam realizar juntos no dia a dia. Confira a seguir algumas ideias que podem ser incentivadas:

1 – Pote dos sentimentos

A ideia é simples: deixar na sala de casa um pote com pequenos papéis e uma caneta ao lado para que as crianças, e também os adultos, possam escrever como se sentiram em relação uns aos outros ao longo da semana. A ideia é abrir um novo canal para falar de sentimentos e dar a possibilidade de iniciar conversas. Essa ação pode ser uma forma de promover o diálogo e incentivar o desenvolvimento da empatia.

2 – Filme com debate

Promover uma sessão de filme seguida por um debate também é uma recomendação da coordenadora pedagógica do LIV. Ela explica que isso é uma forma não apenas de criar momentos especiais entre adultos e crianças, mas também de incentivar o pensamento crítico. 

3 – Reforçar as relações para além do núcleo familiar

Se a criança tinha o hábito de, antes do isolamento social, frequentar a casa de um familiar ou amigo, por que não incentivar uma conversa on-line? Gravar vídeos ou marcar refeições em grupo a distância também são outras ideias para promover o encontro e manter a constância no relacionamento.

Alerta para evitar novas cobranças

Ainda segundo Ana Carolina, um dos aspectos que tornou a pandemia tão complicada foi o aumento de demandas e de culpas dos adultos em relação às crianças e adolescentes. Por isso, ao incentivar esse tipo de atividade para as famílias, é importante ter em mente que são apenas sugestões e não devem ser vistas como alvo de um novo fluxo de cobranças:

“As famílias tiveram bastante dificuldade de colocar o trabalho no dia a dia, a casa para funcionar, acompanhar o desenvolvimento das crianças… Então, sim, existem atividades que podem ser exercidas, mas sempre na proporção que a família consiga desenvolver. Que não seja mais um momento de dor ou de culpa caso essas atividades não sejam colocadas em prática todos os dias. É importante porque o responsável também precisa estar emocionalmente nutrido para poder ser a pessoa capaz de promover diferentes atividades”.

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O que o ensino híbrido traz de novidades para alunos, educadores e famílias? No artigo a seguir, você confere uma análise e uma entrevista em áudio sobre esse tema.

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