Entrevista do mês: Comunicação não violenta, com Elisama Santos

5 de maio de 2020

A convivência em família nesses tempos de quarentena está parecendo complexa demais para você? Acredite: não está fácil para a maioria. A boa comunicação, embora necessária sempre, se tornou uma dificuldade maior neste momento. Afinal, o isolamento social colocou as famílias em uma convivência constante (e talvez nunca experimentada), expondo desconfortos antes mascarados pela rotina. 

Para a psicanalista e autora do livro Educação Não Violenta, Elisama Santos, nesse momento de pandemia mundial estamos nos enxergando diferente, como indivíduos e como sociedade, por isso, antes de mais nada, é importante ter em mente que esse é um cenário inédito na geração contemporânea. “A gente quer encontrar formas, planejar e dizer como as coisas deveriam estar acontecendo, mas nós não temos referencial do que estamos vivendo. É um momento único e cada um de nós vai experimentar sentimentos e sensações únicas sobre isso”.

Em sua participação ao vivo no Instagram do Laboratório Inteligência de Vida, a especialista abordou exatamente os desafios que essa intensa vivência familiar vem causando nos sentimentos de mães, pais e filhos. Os sentimentos, aliás, são o foco de Elisama. Atuando também como consultora e educadora parental, ela ressalta a necessidade de as famílias buscarem na comunicação não violenta uma forma de se relacionar e expressar o que sentem, especialmente em situações de maior instabilidade:

“Nós não aprendemos a lidar com o desconforto ou com o choro. Não fomos educados para nomear o aperto no peito causado pelo medo, e fugimos. Sem a consciência do que sinto, eu grito, me irrito, perco a paciência mais facilmente, e explodo, descontando no outro. A educação que nossa geração recebeu, embora tenha sido a melhor que nossos pais puderam oferecer, deixou marcas e hoje podemos olhar para elas com mais consciência”.

A base do argumento de Elisama vem da comunicação não violenta de Marshall Rosenberg, doutor em psicologia americano que na década de 1960 dedicou suas pesquisas a entender o que poderia estimular a violência em certos indivíduos enquanto outros mantinham um estado compassivo mesmo diante de situações desafiadoras.

De acordo com Rosenberg, a comunicação não violenta vai muito além de não brigar, gritar ou discutir com as pessoas – que é a primeira coisa que vêm a nossa mente quando pensamos em violência nas relações. Significa, na verdade, agir com empatia diante das demais pessoas, ou seja, avaliar cada situação levando em conta o que o outro pode estar passando naquele momento e os sentimentos que podem ser desencadeados por uma simples conversa.

É a partir desse olhar que Elisama propõe o que chama de educação não violenta, uma forma de educar (em casa e na escola) partindo do princípio da não violência. “É olhar para as pessoas que são importantes e tentar entender como elas estão enxergando a realidade. Às vezes, estamos dentro de casa, vivendo juntos, mas cada um tem sua forma de ver, sem perceber como o outro está enxergando a situação”, explica.

Para ela, a educação não violenta também parte do princípio do auto cuidado. “Se eu não cuido dos meus sentimentos, eu vou explodir com o outro. Um sentimento de raiva ou medo, por exemplo, não deixa de existir porque eu não falo sobre ele, vai apenas virar irritação. Por isso é preciso acolher esse sentimento sem julgar”, e completa: “Estamos encarando nossa vulnerabilidade como nossa geração nunca tinha vivido”.

Para entender melhor do que se trata esse tipo de educação e como ela funciona na prática, gravamos também uma entrevista exclusiva com  Elisama, e você pode conferir o resultado no vídeo abaixo:

 

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