Infográfico: raio-x da saúde mental dos professores nos tempos de pandemia

22 de junho de 2020

A saúde mental dos professores brasileiros, que já demonstrava níveis de preocupação alarmantes antes da pandemia, também foi fortemente abalada pela crise causada pelo novo coronavírus. É isso o que demonstra uma série de levantamentos em diferentes países que buscou identificar os efeitos do isolamento social na rotina e na saúde mental da população. De acordo com os dados, transtornos psicológicos poderiam atingir até metade da população em decorrência da pandemia, de acordo com relatório da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Outros estudos feitos com professores reafirmam essa preocupação e revelam o medo, a insegurança e a reviravolta na rotina que acometeu a categoria desde desde o início da pandemia de COVID-19. No Brasil, levantamento do Instituto Península com 2,4 mil pessoas mostrou que, no período inicial da pandemia, sete em cada dez professores tiveram a rotina muito ou completamente afetada. O resultado apontou preocupação com a própria saúde e de seus familiares, mas que também buscaram estudar, se manter culturalmente ativos e buscar conteúdos e informações de cursos. 

A pesquisa começou a ser feita pela internet nas primeiras semanas de março e será publicada em quatro fases que buscarão avaliar os sentimentos e a percepção dos educadores brasileiros em cada um dos estágios do isolamento social, objetivando assim um retrato das diferentes etapas da crise. 

Os primeiros dados da pesquisa mostraram que mais de 90% dos educadores estavam muito ou totalmente preocupados com a situação que se assomava nas primeiras semanas. Além disso, 60% procurou usar o tempo em casa para se aprimorar e fazer cursos para se preparar para o momento. Ainda assim, na segunda etapa da pesquisa, 83,4% revelaram que não se sentem preparados para o ensino remoto, e mesmo os professores com experiência e robusta formação em tecnologias e ensino a distância foram pegos de surpresa (confira mais dados dessa pesquisa no infográfico ao final deste texto).

 

Medos em comum

Nos Estados Unidos, onde também eclodiu um dos principais epicentros da crise, o Yale Center for Emotional Intelligence, da Universidade Yale, em conjunto com o grupo CASEL (Collaborative for Social Emotional and Academic Learning), realizou um questionário com 5 mil professores americanos sobre sua saúde mental. 

Os pesquisadores pediram que descrevessem, com suas próprias palavras, as três emoções mais frequentes que sentiam a cada dia de isolamento social. Mais de 95% das palavras registradas no levantamento refletiam sentimentos desagradáveis. Ansioso, medroso, preocupado, oprimido e triste foram as cinco respostas mais comuns, enquanto apenas 6% da amostra mencionou sensações positivas, como sentir-se esperançoso ou agradecido.

Em artigo, Marc Brackett, um dos relatores do levantamento, disse que as causas do sofrimento relatadas pelos educadores estavam relacionadas principalmente a problemas financeiros, falta de acesso a mantimentos e material de limpeza, dificuldades de equilibrar a vida profissional e familiar, sensação de confinamento ou medo de que eles ou alguém próximo contraísse o coronavírus.

Ainda de acordo com Brackett, os dados coletados em março deste ano trazem algumas preocupações que já haviam sido demonstradas em pesquisas anteriores, como a dificuldade de balencear a vida privada com o trabalho. Para exemplificar, o autor citou um estudo feito pelo mesmo grupo em 2017 identificando, àquela época, que os professores americanos já se sentiam frustrados, estressados e cansados com a rotina de trabalho. 

A pesquisa de 2017 mostrava que a principal fonte dessa frustração estava relacionada à falta de apoio da administração escolar para atender as necessidades de aprendizado de seus alunos, às mudanças constantes no currículo e à falta de equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal.

Emoções importam em todos os contextos

No LIV (Laboratório Inteligência de Vida), falamos frequentemente sobre como as emoções impactam a aprendizagem dos alunos dentro e fora da escola. Contudo, lembramos sempre que a educação socioemocional não se encerra no estudante, pois as emoções afetam toda a comunidade escolar, bem como as decisões tomadas por professores, gestores e demais funcionários.

Acreditamos que, embora o contexto atual seja novo para todos nós, as emoções não entram em quarentena e é necessário continuar incentivando o desenvolvimento de habilidades como escuta, criatividade e pensamento crítico, entre outras, tanto nas crianças quanto nos adultos. Para contribuir com instituições parceiras nesse sentido, desenvolvemos o programa LIV, que oferece materiais exclusivos para o desenvolvimento socioemocional de professores, alunos e suas famílias. Para conhecer mais sobre essa iniciativa, clique aqui.

 

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