Infográfico: raio-X dos impactos da pandemia para os jovens

8 de julho de 2020

Este material foi produzido pelo LIV como a segunda etapa da Jornada do Selo Azul, que auxilia gestores e coordenadores  no retorno à escola para que, além dos protocolos de proteção, haja um cuidado com a saúde mental de toda comunidade escolar, independente de quando essa volta aconteça. Confira também o raio-X da saúde mental dos professores!

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O fechamento temporário das instituições de ensino, os riscos para a saúde, o distanciamento social e a falta de acesso adequado à internet para dar continuidade aos estudos são alguns dos fatores que vêm atingindo os jovens brasileiros desde o início da pandemia causada pelo novo coronavírus, apontam pesquisas recentes.

Uma das pesquisas, por exemplo, escutou mais de 24 mil pessoas de 15 a 29 anos de idade e mostrou que 28% pensam em não retornar os estudos após o fim do isolamento. Outros 49% pensam em não fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) na próxima edição. Os dados são do levantamento on-line “Juventudes e a pandemia do Coronavírus”, promovido pelo CONJUVE (Conselho Nacional da Juventude) em parceria com outras sete instituições para entender como jovens de diferentes idades e perfis sociais foram impactados pela crise. 

A maior parte dos jovens que responderam ao questionário está no Ensino Médio ou no ensino superior. Segundo os dados divulgados, 52% deles sofreram redução na renda familiar desde o início da crise. Entre aqueles que estudam, 8 em cada 10 realizam algum tipo de atividade de ensino remoto. Contudo, a pesquisa mostra que estudar em casa é um caminho cheio de percalços. Além de infraestrutura tecnológica ruim, os respondentes apontaram que o próprio equilíbrio emocional e a capacidade de organização para estudar foram prejudicados. 

Para lidar com essas dificuldades, eles pedem apoio das escolas e das faculdades onde estudam. De acordo com a pesquisa, 6 em cada 10 jovens consideram que suas instituições de ensino devem priorizar atividades para lidar com as emoções; e 5 em cada 10 querem aprender estratégias para gestão de tempo e organização.

“Essa é a maior geração de jovens que o país já teve, uma geração com potencial de contribuir com a mudança de rumos, é a geração mais conectada […] Ao mesmo tempo quando a gente olha para o que tem hoje, a gente vê um futuro comprometido. Um processo educacional interrompido, com perspectiva de agravamento no quadro de evasão, saúde emocional muito afetada e um processo de inclusão no trabalho também afetado. Isso é muito preocupante”, destaca Marcus Barão, vice-presidente do Conselho Nacional da Juventude e coordenador da pesquisa.

Confira mais dados sobre o impacto da pandemia nos jovens no infográfico e na continuação do texto abaixo:

 

Medos e expectativas

A pesquisa também destaca que há uma preocupação grande dos jovens com suas emoções: 70% disseram que seu estado emocional piorou por causa da pandemia e para 75% deles o medo de perder um familiar é o sentimento mais presente. O medo de contágio também apareceu na pesquisa e 30% dos respondentes disseram ter sido infectados ou conhecerem alguém próximo que contraiu o vírus.  

De acordo com o relatório, o medo de perder pessoas próximas vem se desdobrando em ações de cuidado, tanto a distância quanto presencialmente. A pesquisa levantou, por exemplo, que 79% dos participantes ligaram para conhecidos para garantir se estavam bem, 70% utilizaram as redes sociais para conscientização sobre a necessidade de isolamento e proteção social, 40% apoiaram pessoas em situação mais vulnerável e 29% fizeram doações, seja de alimentos, suprimentos ou dinheiro, demonstrando uma busca crescente por ações de solidariedade.

Embora 34% dos jovens ouvidos tenham se mostrado pessimistas em relação ao futuro e 72% acharem que a pandemia vai piorar a economia do Brasil, eles também têm algumas perspectivas positivas em relação à maneira como a sociedade vai se organizar a partir desta crise. Metade imagina que o modo como trabalhamos vai melhorar um pouco ou muito, com novas oportunidades de trabalho para quem mora afastado dos grandes centros urbanos, por conta do aumento do trabalho remoto. Outros 48% também acreditam que surgirão formas de estudar mais dinâmicas e acessíveis que as atuais.

As ações em relação à ciência e saúde foram valorizadas pelos participantes da pesquisa, com 96% dizendo que confiam na descoberta da vacina contra o coronavírus como uma ação importante para a retomada depois da pandemia, enquanto 44% dos jovens ainda acham que a sociedade vai reconhecer mais os educadores e 46% preveem que a ciência e a pesquisa terão mais prestígio e investimentos. Por fim, 48% deles ainda acreditam que as relações humanas e a solidariedade receberão mais atenção.

 

Acesso desigual

A pandemia também jogou luz às desigualdades de acesso à educação digital no Brasil. Enquanto um seleto grupo de alunos consegue acompanhar os estudos on-line, mais de 4,8 milhões de crianças e adolescentes na faixa de 9 a 17 anos não têm acesso à internet em casa. Eles correspondem a 17% de todos os brasileiros nessa faixa etária. 

Os dados, divulgados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), fazem parte da pesquisa TIC Kids Online 2019, do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br). A pesquisa foi solicitada para medir, em meio à pandemia do novo coronavírus, quantas crianças e adolescentes estão sem acesso a aulas virtuais e a outros conteúdos on-line que podem oferecer alguma continuidade ao aprendizado.

A pesquisa mostra que, entre aqueles que não têm acesso à internet em casa, alguns conseguem acessar a rede em outros locais, como escolas, telecentros ou outros espaços. Mas isso antes da adoção de medidas de isolamento social no país, pois as informações foram coletadas entre outubro de 2019 e março de 2020.

À época os dados já mostravam que para 11% da população nessa faixa etária não havia sequer a possibilidade de usar uma internet emprestada. A exclusão é maior entre crianças e adolescentes que vivem em áreas rurais, onde a porcentagem daqueles que não acessam a rede chega a 25%. O índice também é alto nas regiões Norte e Nordeste, onde percentual de exclusão digital é 21% e entre os domicílios das classes D e E, onde 20% das crianças não podem se conectar para estudar.

Dados como esses mostram que, embora acredita-se que o acesso à educação e à informação por meio da internet esteja disponível a todos nos dias de hoje, a realidade é bastante diferente. Vale frisar, contudo, que o fechamento de escolas e centros de apoio durante a pandemia apenas acentuou desigualdades históricas que não desaparecerão com o dito “retorno à normalidade” e, se não forem corrigidas e compensadas com urgência, comprometeremos o futuro de milhares de crianças e jovens.

 

Precisamos olhar para a saúde mental dos estudantes!

Acreditamos que, embora o contexto atual seja novo para todos nós, as emoções não entram em quarentena e é necessário continuar incentivando o desenvolvimento de habilidades como escuta, criatividade e pensamento crítico, entre outras. Para contribuir com instituições parceiras nesse sentido,o programa LIV oferece materiais exclusivos para o desenvolvimento socioemocional de professores, alunos e suas famílias.

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Comentários
Josiane Valle

Muito interessante a pesquisa, proporcionando dados para argumentação para implantação no acolhimento emocional dos nossos alunos.