Por que nos afligimos em não saber o que está acontecendo fora de casa?

12 de maio de 2020

Passado mais de um mês de isolamento e com notícias ainda contraditórias sobre a possibilidade de um retorno às atividades, muitas pessoas têm relatado uma imensa dificuldade em conter a ansiedade e também uma certa aflição por não saber o que acontece fora de casa.

Parceiros e colaboradores do Laboratório Inteligência de Vida (LIV), por exemplo, têm contado em conversas sentir temor pela sua própria saúde mental e de pessoas próximas. Contudo, para a rede de profissionais de psicologia e psicanálise com quem temos conversado, sentir-se dessa forma é bastante compreensível nesse momento. 

Como destacou o psicólogo e escritor Alexandre Coimbra Amaral em entrevista ao LIV durante a quarentena, “o processo de adaptação à quarentena demanda muito emocionalmente”.

“Estamos vivendo uma pandemia em que se fala muito dos aspectos biológicos, do cuidado na esterilização, visando não ser contaminado e não infectar o ambiente, e de todos os novos cuidados que precisamos ter com nosso corpo e nossa casa. Entretanto, existe uma transformação também muito grande na nossa saúde mental e equilíbrio emocional. Isso porque estamos trancados em casa, vivendo esse paradoxo entre excesso de contato com quem está confinado com a gente na quarentena e a absoluta falta da presença física de quem está do lado de fora, apesar de fazerem parte dos nossos afetos”. 

Enquanto acompanhamos a progressão da pandemia e as decisões sobre como iremos conviver em sociedade, se vamos estar confinados, se poderemos sair e quando será o fim do isolamento social, é aceitável ser tomado por inseguranças, explica Alexandre.

“Neste momento, as pessoas precisam muito falar de suas emoções, não somente sobre a orientação fisiológica e biológica do combate ao vírus. O aspecto da saúde mental está cobrando muito da saúde integral dos indivíduos”.

Para o psicólogo, esse possível impacto na saúde mental das pessoas precisa ser debatido e encarado. “Vamos viver várias fases de adaptação consecutivas, que vão exigir de cada um de nós muita resiliência na nossa capacidade de enfrentar crises”.

 

Sobre o que é esse momento?

Para o LIV, debater sobre o que significa esse momento pelo qual a sociedade passa de forma coletiva é uma forma de enfrentar a situação e colocar um olhar mais atento para as emoções e a saúde mental. 

Nesse sentido, acreditamos que o olhar pode não recair sobre a necessidade de ficar em casa ou perder tempo, mas sim sobre ter pensamento crítico e discernir o que é importante para o coletivo, desenvolvendo perseverança para enfrentar o cenário presente.

Desde o início da crise, buscamos encontrar caminhos para conversa e discussão, tanto com escolas e estudantes parceiros do LIV quanto com a população em geral, através de nossas redes sociais, onde convidamos especialistas no assunto para apresentações ao vivo com a participação do público.

Assim como já fazemos nas aulas do programa LIV, queremos convidar a todos neste momento para destacar a importância da criatividade, da colaboração e da proatividade, em detrimento de reações exacerbadas, e visando o bem coletivo.

E você, sobre o que é esse momento? Como você tem lidado com suas emoções? 

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