Aluna estudando no ensino híbrido

LIV entrevista Lilian Bacich: Dúvidas práticas ao aplicar o ensino híbrido na escola

30 de abril de 2021

Em conversa exclusiva para o blog do LIV, especialista fala sobre a educação socioemocional no contexto do ensino híbrido. Leia mais:

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Para a doutora em psicologia escolar e desenvolvimento humano Lilian Bacich, falar sobre ensino híbrido envolve uma reflexão profunda sobre a maneira como enxergamos a escola. Consultora e autora de livros que abordam o tema, como Ensino Híbrido: personalização e tecnologia na educação e Metodologias ativas para uma educação inovadora, dentre outros, ela afirma que a educação ainda está muito “centrada no educador” e, romper com essa perspectiva exige “repensar a avaliação, a autonomia do estudante e o papel do professor”.

Após participar de uma formação on-line oferecida pelo programa LIV às escolas parceiras, ela concedeu uma entrevista exclusiva para nosso blog. Na ocasião, falou sobre como “a educação socioemocional pode ser um fio condutor” no ensino híbrido para desenvolver a colaboração, a empatia, a responsabilidade entre os alunos.

Ponderou também os desafios que os professores enfrentam para colocar o ensino híbrido em prática, as peculiaridades dos diferentes segmentos de ensino nesse contexto, e como o envolvimento das famílias na educação das crianças e dos adolescentes se faz importante no cenário atual. 

Confira o conteúdo completo a seguir:

  1. Como a educação socioemocional é vista no contexto do ensino híbrido?

Lilian Bacich – A educação socioemocional já era considerada muito importante nas propostas que envolvem o ensino híbrido. Atualmente, sem dúvida, seu papel é ainda maior. Quando pensamos que, no ensino híbrido, os estudantes podem ser considerados em suas necessidades e que as experiências de aprendizagem desenvolvem a colaboração, a empatia e a responsabilidade, a educação socioemocional pode ser um fio condutor e deveria ser inserida em todas as áreas de conhecimento e em todos os segmentos.

  1. Quais desafios você percebe entre os professores para colocar o ensino híbrido em prática?

Lilian Bacich – Os principais desafios estão relacionados ao rompimento com uma cultura escolar que está centrada no educador e que tem um foco na transmissão de conhecimento, na maioria das vezes. Repensar a avaliação, a autonomia do estudante e o papel do professor são pontos fundamentais para pensarmos que o ensino híbrido de qualidade está relacionado ao desenvolvimento integral.

  1. Quais são as peculiaridades dos diferentes segmentos de ensino no contexto do ensino híbrido?

Lilian Bacich – A organização de uma proposta pedagógica que considera o ensino híbrido precisa considerar as especificidades de cada faixa etária e, assim, desenhar experiências que apoiem no desenvolvimento da autonomia desde os anos iniciais. Crianças da educação infantil precisam de mais contato com os educadores, enquanto alunos do ensino médio já têm mais autonomia para o uso de recursos tecnológicos, por exemplo, além de poderem se organizar em grupos com mais facilidade.

  1. Como ajudar as famílias a entender melhor o ensino híbrido e também como trazê-las para junto da escola nesse contexto?

Lilian Bacich – Além de informar às famílias sobre as escolhas que a escola faz, envolvê-las em conhecer o rendimento escolar dos estudantes com avaliações mais frequentes, com foco na coleta de evidências de aprendizagem, apoiar e não só comunicar a escolha, mas envolvê-la na realização das propostas. Em nossa formação com as escolas parceiras [do programa LIV], trouxemos a importância da documentação pedagógica como uma estratégia de comunicar de forma mais eficiente com as famílias.

  1. Como você imagina o cenário futuro da educação em relação ao ensino híbrido?

Lilian Bacich – O avanço que tivemos no uso e na identificação do potencial pedagógico dos recursos tecnológicos na educação é um legado do momento atual e, assim, imagino que cada vez mais esses recursos vão fazer parte das práticas pedagógicas e, se desenvolverem a autonomia dos estudantes como produtores de conhecimento e dos professores no uso de dados para a personalização, certamente o futuro dessa escolha será muito promissor.

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Quer saber mais sobre o uso da tecnologia no contexto da educação e no ensino híbrido?

Clique aqui e acesse o post “Incentivando a educação socioemocional no ensino híbrido” um conteúdo para auxiliar escolas e educadores!

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O LIV – Laboratório Inteligência de Vida é um programa de educação socioemocional presente em mais de 350 escolas em todo o Brasil, criando espaços de fala e escuta para ampliar a compreensão de si, do outro e do mundo.

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