Ultimo ano escolar em casa

Entrevista LIV: o olhar de quem vivenciou o último ano escolar em casa

11 de dezembro de 2020

O terceiro ano do Ensino Médio é o ano mais idealizado por muitos estudantes. Além da expectativa para provas finais, Enem, vestibulares, projetos pedagógicos especiais e a aproximação do fim da rotina escolar, esse momento também envolve fantasias conhecidas dos adolescentes, como festa da formatura ou até viagens, para quem tem a possibilidade.

É também quando os jovens começam a se dar conta de sua jornada escolar até o momento e dos caminhos que os aguardam no futuro. No início de 2020, contudo, a pandemia do novo coronavírus alterou bruscamente a vida dos mais de 2 milhões de estudantes matriculados no 3º ano do Ensino Médio no país. E para falar sobre a experiência de vivenciar esse último ano letivo longe dos amigos e da escola, convidamos a aluna de LIV Maria Clara, do Colégio Equipe, de Recife, em Pernambuco. 

Maria Clara tem 17 anos e, em 2019, foi uma das estudantes a participar de um grupo de adolescentes que contribuiu com a curadoria da edição 2020 da revista Rumos, uma publicação anual que faz parte do material do programa socioemocional do LIV para as turmas de Ensino Médio. 

Nessa entrevista online, ela falou sobre suas expectativas e aspirações, contou sobre como tem sido as aulas e relatou os sentimentos que surgiram ao longo dos meses de isolamento social. Você pode ouvir a entrevista completa apertando o botão de play no arquivo de áudio abaixo ou ler alguns destaques na continuação deste texto.

Último ano escolar, muitos planos… #SóQueNão

Maria Clara é uma jovem muito animada com as atividades do colégio e, assim como outros de sua turma, estava empolgada com o Ensino Médio. Nos últimos anos, ela participou de campeonatos escolares, como a Olimpíada de História, e tinha muitos planos para seu último ano na Educação Básica. “O 3º ano é o mais idealizado, sem dúvida. Lá no colégio, a gente usa farda diferente, com manga vermelha, e temos mais liberdade de transitar pelo prédio (…). Existe muito respeito com as pessoas que estão concluindo o colégio por parte dos professores, da coordenação e dos alunos também (…). É o último ano dos jogos internos, viagem de conclusão e a formatura, que é uma das coisas que eu estava com mais expectativa. Desde o 2º ano eu já tinha fotos de vestidos que eu gostaria de comprar. E foi tudo cancelado”.

A estudante conta que sua escola buscou, da melhor maneira, recriar o contexto do último ano. E, conforme o isolamento foi se tornando mais duradouro, ela começou a se ajustar à situação. “Voltar do jeito que as coisas eram antes, é muito difícil. Querendo ou não, a gente que está concluindo a escola já tem, entre aspas, uma maturidade maior, na teoria. Eu acho que eu superei o fato de estarem adiando as aulas porque, mesmo eu perdendo a convivência e tudo aquilo que eu queria ter vivido no 3º ano, meu tempo de escola já estava no fim. Eu perdi muita coisa, mas faz parte, todo mundo perdeu muita coisa”, reflete.

Segundo a estudante, o apoio da escola e a continuidade das atividades nas aulas de LIV foram essenciais para dar suporte emocional no tempo de pandemia. “A gente não é só 3º ano, que é o ano mais ansioso da escola, mas somos 3º ano em uma pandemia. Nós não sabemos o que vai acontecer amanhã, se um familiar vai pegar o vírus ou um professor, um aluno que vai ser afetado de maneira definitiva ou não. É um ano de muita ansiedade e acho que o momento de LIV na semana, durante o tempo de uma aula, era muito bom. (…) Foi muito bom ter LIV nesse período, e no formato de aulas à distância, pois acho que se tivessem apenas gravado vídeos ou se o colégio tivesse optado por não fazer LIV nesse momento, teria sido muito mais angustiante”.

Assim como aconteceu em diversas escolas, após mais de seis meses de isolamento, as aulas no colégio de Maria Clara entraram em uma fase de ensino híbrido, permitindo novas reflexões sobre a vida escolar. “Estar em presença dos meus professores, mesmo à distância, de máscara, é muito reconfortante. (…) O sentimento de obrigação com o colégio acabou, mas o sentimento de pertencer e me sentir amada e acolhida não acabou e foi muito bom poder voltar para isso, mesmo à distância e com álcool em gel, termômetro e um monte de coisa, foi uma sensação muito boa. É realmente sentir saudade e você percebe como a saudade era grande quando você estava lá”.

Expectativas para o futuro

Tomar decisões tão importantes como as quais somos convocados a fazer ainda na fase do Ensino Médio pode ser um desafio. Contudo, quando nos responsabilizamos por essas escolhas e quando temos apoio e segurança para fazê-las, podemos fazer apostas e traçar novos caminhos. 

Nessa perspectiva, Maria Clara diz sentir “frio na barriga” com as possibilidades de seu futuro e tudo o que ele envolve. Quando pensa em carreiras, por exemplo, vislumbra muitas possibilidades e compreende que não há apenas um caminho definido. “Eu tenho plena consciência que, se eu não gostar, eu posso tentar outra vez. É uma decisão do que você vai fazer pelo resto da sua vida e, por mais que você mude, é o início da vida pelo menos, e a gente é muito novo para isso. Por mais que a gente seja maduro, é uma decisão muito grande que a gente tem que tomar com tão pouca experiência de vida. Eu tenho consciência de que posso mudar, então, a resposta agora é Medicina, mas quem sabe o que vem pela frente”.

Ensino Médio com LIV

Nas mais de 350 escolas que utilizam o programa de educação socioemocional do Laboratório Inteligência de Vida (LIV), as aulas voltadas para o desenvolvimento socioemocional se estabelecem como um espaço de fala e escuta na escola, em uma busca para promover atividades que buscam, sobretudo, reflexão, debate, empatia, questionamento e proatividade em diferentes campos da vida do estudante.

O programa tem como base um conjunto de referências teóricas que reúne grandes especialistas da pedagogia,  psicologia e neurociência, bem como outras áreas do meio acadêmico. O currículo permite às escolas que promovam essas habilidades entre seus alunos de maneira intencional, em atividades com começo, meio e fim, feitas de acordo com a faixa etária de cada turma.

Contudo, sabemos que de nada adianta oferecer o conteúdo sem formar e acompanhar os professores e as famílias para que possam incentivar o desenvolvimento socioemocional nos diferentes âmbitos da vida das crianças e dos adolescentes. Por isso, o LIV oferece também materiais específicos para as escolas e as famílias, com livros, atividades e jogos que permitem inserir esses temas na prática do dia a dia, em casa e nas aulas.

Para conferir um pouco dos materiais criados especialmente para essa etapa de ensino, confira a playlist de vídeos abaixo, na qual você pode conhecer os conteúdos audiovisuais que fazem parte da proposta LIV.

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Comentários
Mariana Tenório

Contudo, sabemos que da nada adianta oferecer conteúdo sem formar e acompanha os professores e as famílias para quer possa incentivar