Alunos ansiosos, agitados e com dificuldade de concentração: o que fazer?

Alunos ansiosos, agitados e com dificuldade de concentração: o que fazer?

22 de julho de 2022

*Conteúdo em parceria com Nexo Jornal

O retorno às aulas presenciais tem trazido uma série de desafios para escolas e famílias, incluindo alunos ansiosos e agitados. Saiba no conteúdo a seguir o que é possível ser feito nesses casos.

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Após a pandemia, um novo alerta foi ligado para famílias e escolas: casos de ansiedade, agitação e dificuldade de concentração entre crianças e adolescentes passaram a ser mais constantes do que nunca, despertando em todos os envolvidos a necessidade de atentar e agir para ajudá-los nessas situações. 

E os problemas já aparecem nas estatísticas. A Secretaria da Educação de São Paulo e o Instituto Ayrton Senna divulgaram em 2022 uma pesquisa na qual dois de cada três estudantes do 5º e 9º ano do Ensino Fundamental e da 3ª série do Ensino Médio da rede estadual relatam sintomas de depressão e de ansiedade. 

Com 642 mil alunos no grupo, o levantamento mostrou ainda que um em cada três estudantes diz ter dificuldades para conseguir se concentrar no que é proposto em sala de aula, enquanto 18,8% relatam se sentir totalmente esgotados e sob pressão e 18,1% dizem perder totalmente o sono por conta das preocupações. 

Outro estudo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), constatou que 10,5% dos estudantes do 9º do Ensino Fundamental e do Ensino Médio em escolas estaduais e municipais das periferias de São Paulo e de Guarulhos foram diagnosticados com depressão e 47,5% com ansiedade. Na pesquisa, que considera dados de 2020, o uso excessivo de telas foi um dos fatores relacionados a esse quadro.

Nas escolas da rede privada, os relatos apontam para situação semelhante, como conta Patrícia Queiroz, psicopedagoga e consultora pedagógica do LIV – Laboratório Inteligência de Vida. “No atendimento com escolas parceiras, temos ouvido diversos relatos que apontam as dificuldades enfrentadas neste período de retorno ao presencial. A agitação, a ansiedade e dificuldade de concentração, entre outras tantas questões, se tornam mais observáveis entre os alunos. No entanto, devemos lembrar que professores e famílias também têm vivenciado essas reverberações da pandemia no aspecto socioemocional”.

Patrícia destaca ainda que as pessoas estão sofrendo de dores profundas – e que isso precisa ser levado em conta. “Isso aparece na escola porque ela não é apartada da vida, do social. O que acontece ali é um retrato dos momentos difíceis que a nossa sociedade tem vivido com essa crise de saúde que também desponta em outros setores, trazendo inseguranças, medos e aflições que afetam a todos”, afirma e completa: 

“Temos falado para essas instituições, desde sempre, que escola é lugar de sentir. E é isso que está acontecendo: onde há abertura para a manifestação de sentimentos e emoções, também há uma possibilidade de cuidado: consigo, com o outro e com o mundo. É possível construir relações de apoio mútuo entre escola e família. Nós, do LIV, estamos juntos nesse processo”.

Para saber mais sobre essa questão tão delicada, escute o áudio a seguir e veja mais detalhes na sequência do texto:

Os riscos da ansiedade e seus impactos da vida escolar

Patrícia explica que ansiedade, agitação e falta de concentração, quando aparecem de forma episódica, são manifestações que fazem parte da vida, embora gerem algum desconforto, em maior ou menor grau. “Eles são preocupantes quando se estabelecem como casos persistentes, intensos, prolongados. E, como estamos falando de sujeitos, seria imprudente determinarmos de forma genérica em que momento uma linha é ultrapassada, apontando uma possível patologia”.

Sendo assim, defende a psicopedagoga, é fundamental que escola e família estejam em parceria, olhando para essas crianças e jovens muito de perto, fortificando relações, promovendo e incentivando diálogos. “Só quem conhece como esse sujeito se comporta, como costuma manifestar-se no mundo, é que pode perceber mudanças de comportamento que representam sinais de alerta. As intensidades precisam ser vistas de perto. Por exemplo: na adolescência, não é incomum que se busque privacidade, mas essa busca está caminhando para um isolamento? É fundamental que sejamos acolhedores, estejamos atentos e possamos pedir ajuda a profissionais específicos quando necessário”, explica.

Vale lembrar que as escolas são espaços de encontro, de viver a coletividade e construir subjetividades, portanto, o apoio que podem dar à manutenção da saúde emocional é no investimento e no cultivo de relações mais sadias: da pessoa com ela mesma, com seus pares, com a sociedade. Nesse sentido, a parceria com as famílias é fundamental. 

As famílias podem ajudar para minimizar esses problemas?

No lugar de minimizar, a consultora pedagógica do LIV afirma que um caminho mais interessante e significativo seria dar visibilidade ao que já está acontecendo para pensar as melhores estratégias de cuidado. “É muito importante que família e escola estejam juntas nesta tarefa. As famílias devem saber que podem contar com a instituição e vice-versa. Estreitar diálogos significa ter a chance de trocar informações importantes, que ajudam a olhar para estes estudantes de uma forma mais completa, a partir das visões de ambas as partes”.

É importante ainda que as famílias considerem este retorno ao presencial como um período que redimensionou o que antes poderia ser muito comum. “Tarefas como ir à escola, estar em grupo ou fazer prova passaram a ser muito mais ansiogênicas para alguns. Viver essas experiências sob a marca da insegurança, do luto, da ansiedade, realmente não é uma tarefa fácil, mas é possível caminharmos juntos no enfrentamento dessas dificuldades”, defende Patrícia.

Como a educação socioemocional pode ajudar efetivamente?

Socialmente estamos todos vivendo um novo tempo, reconfigurando novas modalidades de nos relacionarmos e, sendo a escola um pedacinho desse mundo todo, é esperado que as manifestações emocionais aconteçam. Pensando nisso, priorizar a saúde da comunidade escolar é fundamental para que os processos de ensino e de aprendizagem aconteçam da melhor maneira possível, como indica a consultora pedagógica do LIV.

“O socioemocional é parte fundamental da constituição humana. Através das aulas de LIV, os alunos são convidados a olhar para ele como possibilidade de aprendizado, através de propostas pedagógicas que fazem parte de um currículo estruturado. Entretanto, a educação socioemocional se dá para além das aulas de LIV. Nosso principal objetivo é que esse olhar ultrapasse as paredes  da sala de aula e os muros da escola! Essa é a estratégica basilar de cuidado permanente com a saúde mental da comunidade escolar”.

5 recomendações do LIV para cuidar do socioemocional de todas as escolas

Para completar, a coordenadora pedagógica do LIV oferece algumas recomendações importantes para todas as escolas, mesmo aquelas que ainda não contam com um programa de educação socioemocional como o LIV:

  1. Escola vai além de conteúdos

    Quando falamos de aprendizagem, não estamos falando apenas das matérias tradicionais do currículo escolar como Português e Matemática, mas também de aprender a conviver, se relacionar melhor consigo, com o outro e com o mundo. Além disso, um olhar ou uma escuta mais atenta e o cuidado com as relações são questões importantes em uma aprendizagem significativa em todas as disciplinas.

  2. Criar espaços de fala e escuta

    Pensar em espaços de compartilhamento de dores e estratégias docentes para todos os professores também é necessário e repercute diretamente em maior cuidado com os alunos.

  3. Pensar em novos formatos de aula

    Promover, até mesmo no formato interdisciplinar, outras maneiras de elaborar e comunicar ideias, pensamentos, sentimentos e emoções, por exemplo: oficinas artísticas, esportes e ações coletivas que impactam na comunidade.

  4. Escola como lugar seguro

    É possível e necessário que a escola exercite construir-se como um lugar de segurança emocional, onde os alunos possam sentir e aprender a manifestar o que sentem de uma forma saudável. E essa construção, como sabemos, é processual, não acontece do dia para a noite.

  5. Ter saúde mental não é estar feliz

    Lembrar que falar em saúde mental não é falar em felicidade e alegria constantes. A gente precisa incluir todos os sentimentos e emoções, mesmo os que vemos como desconfortáveis, pois eles também compõem essa saúde. É fundamental vivenciarmos nossas dores também. Não existem sentimentos bons e sentimentos ruins: essa compreensão é indispensável ao abordarmos saúde e educação numa perspectiva integral.

Quer saber como o LIV pode ajudar sua escola a promover o acolhimento neste momento tão delicado da vida escolar? Acesse o e-book “Sentir é aprender: histórias da sala de aula com o LIVe conheça depoimentos reais de educadores e instituições parceiras que já utilizam e recomendam o programa

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O LIV – Laboratório Inteligência de Vida é o programa de educação socioemocional presente em escolas de todo o Brasil, criando espaços de fala e escuta para ampliar a compreensão de si, do outro e do mundo.

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