[VÍDEO] Você sabe como desenvolver uma escuta ativa?

17 de janeiro de 2022

Nesta entrevista, a consultora pedagógica do LIV Rafaela Paiva Costa responde essa e outras perguntas sobre esta habilidade tão importante. Confira!

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Escuta ativa é uma habilidade social e, como qualquer outra, pode ser desenvolvida em qualquer idade e aperfeiçoada com o tempo. Mas embora a descrição pareça simples, sabemos que nem sempre é tão fácil colocá-la em prática.

Para nos ajudar a entender como essa prática pode ser ampliada no dia a dia, especialmente no ambiente escolar e familiar, convidamos a psicóloga e consultora pedagógica do LIV Rafaela Paiva Costa, que gravou um vídeo especial para o tema.

Confira o vídeo e os destaques de sua fala a seguir:

  • O que significa ter uma escuta ativa?

Segundo Rafaela Paiva Costa, ter uma escuta ativa significa oferecer uma escuta atenta, presente e empática. Quer dizer, uma escuta genuinamente interessada na fala do outro e na mensagem do outro.

“Essa escuta também passa por conseguir abandonar alguns julgamentos que a gente normalmente faz durante a escuta. Quer dizer, a gente aprendeu a vida inteira a conectar aquilo que escutamos com toda a nossa bagagem de vivências e experiências. Isso traz alguns julgamentos sociais e julgamentos morais também. Geralmente esses julgamentos não ajudam muito, mesmo quando achamos que está ajudando”.  

  • Como desenvolver essa escuta?

Rafaela explica que a escuta ativa parte da comunicação, que é a base das relações humanas. “Nós construímos as nossas relações por meio de comunicação. Não só a comunicação que a gente verbaliza na fala ou na escrita, mas também a comunicação não verbal, com a maneira como eu me comporto e com as minhas expressões faciais. Eu estou comunicando todo o tempo e essa mensagem chega até o outro”, explica.

De acordo com a consultora do LIV, “construir formas menos violentas ou não violentas de se comunicar passa necessariamente por esse aprendizado”. Nesse sentido, ela explica: “É um aprendizado como de outra língua. É um exercício que quanto mais a gente faz, um pouco mais fácil fica de fazer e um pouco melhor a gente fica nele”

A especialista diz ainda que a escuta ativa também deve ser praticada individualmente. “Quanto a gente está se escutando? Quanto a gente está escutando as mensagens do nosso próprio corpo e das nossas emoções? A escuta ativa faz parte das habilidades socioemocionais que nós podemos desenvolver ao longo da vida. Quer dizer, ela é uma capacidade que a gente pode ensinar e que a gente pode aprender”.

  • Como criar espaços seguros de acolhimento nos ambientes onde vivemos?

Investir em presença é um treino para a escuta ativa, diz a consultora do programa LIV. “Cada vez que você tenta conscientemente concentrar sua atenção e o seu foco na conversa que você está tendo, no livro que você está lendo, na música que você está escutando, no filme que você está assistindo, você está treinando uma habilidade, que é a habilidade do foco, a habilidade da atenção. Ela é muito importante na hora de desenvolver a escuta ativa, uma escuta que realmente escuta o outro”.

Para colocar isso em prática, ela diz que é importante sempre perceber as oportunidades de criar um ambiente de escuta. “Cada nova conversa, cada novo contato, é uma oportunidade de treinar a escuta ativa. A escuta ativa pressupõe que a gente abandone um pouco aqueles julgamentos que costumam fazer parte da nossa comunicação, seja com os outros, seja com a gente também”, afirma.

Rafaela diz ainda que, quando escolhemos abandonar os julgamentos, nós criamos um ambiente seguro para comunicação. “Esse ambiente é mais favorável para o compartilhamento das nossas vulnerabilidades, que reforçam os nossos vínculos”, completa.

  • Nesse sentido, de que maneira as escolas podem incentivar a escuta e o acolhimento com seus alunos?

Como exemplo, a especialista cita o programa de educação socioemocional do LIV, criado para auxiliar escolas nessa temática e que proporciona diversos momentos de compartilhamento de fala e de escuta dos estudantes entre eles e  com os professores, na grade escolar.

Um desses momentos é o Círculo da Confiança, uma atividade que acontece em diferentes momentos do desenvolvimento socioemocional de alunos do 5º ano do Ensino Fundamental até o último ano do Ensino Médio:

“O Círculo da Confiança é uma aula especial, onde a gente treina isso: a escuta ativa. Na atividade, os alunos têm um espaço seguro e garantido para falar sobre suas experiências, para elaborar suas visões de mundo sobre algum tema ou algum assunto referente ao contexto deles”, explica Rafaela.

Ela diz ainda que esse é um momento especial para muitos alunos e educadores. “Nós escutamos de professores o quanto esse momento é único para pré-adolescentes e adolescentes falarem sobre suas experiências e se sentirem seguros para isso”.

O Círculo da Confiança é só um exemplo do programa LIV para exercitar essa habilidade, aponta a consultora: “Você também pode convidar os seus alunos para construir momentos como esse, momento seguros de compartilhamento das suas experiências, das suas vivências, o que também passa pelo treino dessa habilidade de escutar empaticamente e ativamente o outro”.

  • É possível ter uma escuta ativa nos ambientes virtuais?

Rafaela diz que as escolas têm vivido muitos desafios para se adaptar aos ambientes virtuais, incluindo desenvolver a escuta ativa e desenvolver as habilidades socioemocionais.

“Quando falamos em inteligência emocional e em habilidades socioemocionais, a gente está falando dessas formas que temos de ser e de conviver no mundo. Isso também fazemos dentro dos ambientes virtuais”, explica.

Por isso, diz a consultora, é tão importante desenvolver meios menos violentos e mais empáticos de se comunicar e se relacionar com o outro na internet. Para as aulas, por exemplo, ela comenta algumas práticas:

“No LIV, a gente promove alguns combinados para que essa escuta ativa possa acontecer. Os nossos alunos, por exemplo, são estimulados a ficar de câmera ligada toda vez que a gente tem um momento de escuta e de fala, de compartilhamento. Nós também sugerimos não gravar esses momentos para que eles se sintam mais seguros para compartilhar suas experiências. O professor atua como um mediador nesse momento. Ele garante o tempo de fala de todos os estudantes, assim como a manutenção dos combinados”.

Para concluir a entrevista, Rafaela afirma que a escuta ativa, portanto, é um processo. “É uma habilidade que a gente desenvolve ao longo da nossa vida e que pode ser uma ferramenta para uma melhor comunicação com o outro e no entendimento de nossos próprios sentimentos”, conclui.

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Quer aprender mais sobre escuta ativa? Veja mais sugestões do LIV:

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O LIV – Laboratório Inteligência de Vida é o programa de educação socioemocional presente em escolas de todo o Brasil, criando espaços de fala e escuta para ampliar a compreensão de si, do outro e do mundo.

 

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Comentários
josirene

muito bom aexplicação da escuta ativa