Luto na pandemia: a importância do acolhimento na escola

Luto na pandemia: a importância do acolhimento na escola

22 de novembro de 2021

Em entrevista ao blog do LIV, a psicóloga clínica Érica Quintans explica os desafios de falar sobre luto individual e coletivo com crianças e adolescentes. Confira ainda dicas de livros e filmes sobre o tema!

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A pandemia de Covid-19 segue em curso no Brasil e no mundo e ainda revela, infelizmente, inúmeras perdas reais e simbólicas para a sociedade. Nesse cenário, o tema do luto aparece com cada vez mais frequência, tanto no ambiente familiar quanto no escolar, revelando-se um desafio para muitos adultos.

De acordo com a mestra em psicologia clínica e pesquisadora do luto Érica Quintans, a pandemia impactou as pessoas com lutos reais e simbólicos, com repercussões para a saúde mental da maioria. “De alguma maneira, há uma unidade entre nós, muito embora vivamos realidades completamente diferentes, e isso pode ser um recurso para enfrentarmos, juntos, os desafios colocados na sociedade”.

Érica tem mestrado focado em luto pela PUC-Rio, tema sobre o qual se dedica há mais de dez anos. Também é membro efetivo do Instituto AEDP Brasil, atende crianças, adolescentes e adultos e é palestrante nos temas de luto, perda, infância e pandemia.

Durante o 3º Congresso LIV Virtual ela palestrou sobre o tema do luto na escola e apontou os principais desafios para gestores, educadores e responsáveis. Além da palestra, ela também concedeu uma entrevista ao blog do LIV e que você pode conferir logo após o vídeo!

Luto e pandemia: 5 perguntas para Érica Quintans

Qual o impacto da pandemia na infância e adolescência?

Érica Quintans – Ainda temos estudos incipientes sobre os impactos da pandemia para os jovens, mas algumas pesquisas já apontam o aumento dos casos de ansiedade, depressão, aumento no uso de telas, alterações no sono e apetite, bem como na capacidade de concentração e foco.

Quais os desafios de receber uma comunidade escolar com pessoas enlutadas ou afetadas pelo luto próximo?

Érica Quintans – Neste momento, o mundo inteiro passa pelo luto da pandemia (luto coletivo) o que faz com que possamos enfrentar na coletividade as repercussões destas vivências. De alguma maneira, há uma unidade entre nós, muito embora vivamos realidades completamente diferentes, e isso pode ser um recurso para enfrentarmos, juntos, os desafios colocados na sociedade. 

Ainda assim, este período trouxe vivências muito distintas: perda de alguém conhecido; mudanças nas configurações familiares; impactos econômicos; perdas relacionadas ao próprio mundo escolar (formaturas, eventos, convívio diário, etc.), considerando aqui os jovens estudantes, mas também os funcionários e educadores, que chegarão nas escolas afetados por essas e outras experiências. 

Como as escolas podem oferecer interações significativas para abordar o luto quando nem todos os alunos ainda voltaram ao contexto presencial?

Érica Quintans – Enquanto o retorno presencial não acontecer, é importante buscar manter o espaço da escola para além dos muros. Neste sentido, a tecnologia pode ajudar a manter conectados os jovens e os educadores: rodas de conversa, podcast, vídeos com debates e convidados podem ajudar a falar sobre o assunto de uma forma mais descontraída e informativa. 

O que é luto simbólico e como ele pode afetar o retorno presencial às comunidades escolares?

Érica Quintans – É o luto que não advém de uma perda concreta (por morte/doença), são aqueles tipos de luto abstratos e, no caso da pandemia, consideramos as perdas da rotina, dos sonhos, dos planos, do que era conhecido e da sensação de controle. No retorno escolar, as pessoas (estudantes e funcionário) estarão impactadas pelo contato com todas essas perdas e ressignificações que foram necessárias no período pandêmico. Por isso, podemos esperar pessoas mais ansiosas, tristes e vulnerabilizadas, mas também seres humanos mais resilientes com os aprendizados deste período tão difícil. 

Qual o perigo de tratar o luto como um processo linear e igual para todos?

Érica Quintans – Há muito tempo, existia essa ideia de que o luto era algo igual para todos, um processo linear a ser superado por fases. O perigo deste olhar é colocarmos todos os seres humanos como iguais, desconsiderando a subjetividade do luto (que é um processo com altos e baixos) e fazendo parecer existir um jeito certo ou errado de viver a experiência.

 

+ 17 Filmes e livros para falar sobre luto com crianças

Durante a palestra “A importância do acolhimento no retorno”, no 3º Congresso LIV Virtual, a psicóloga Érica Quintans trouxe diversas indicações de livros e filmes para ajudar as crianças a entender as emoções. Confira a seguir uma lista:

Filmes

  • Bambi
  • Procurando Nemo
  • Up: altas aventura
  • Viva: A Vida é uma festa
  • A caminho da lua
  • A invenção de Hugo Cabret
  • Divertidamente
  • Rei Leão

Livros

  • Chapeuzinho amarelo – Chico Buarque
  • Meu amigo Lázaro – Olavo Wyszomirski
  • Quando alguém muito especial morre – Marge Heegaard
  • O coraçao e a garrafa – Oliver Jeffers
  • Menina Nina – Ziraldo
  • Tenho Monstros na Barriga – Tônia Casarin
  • Começo, meio e fim – Frei Betto

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O LIV – Laboratório Inteligência de Vida é o programa de educação socioemocional presente em escolas de todo o Brasil, criando espaços de fala e escuta para ampliar a compreensão de si, do outro e do mundo.

 

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